Stereophonics, uma rara pérola do rock

No mundo da música pop, as ostrasestão quase todas vazias. De vez em quando, no entanto, pintauma pérola dentro de uma delas. É o caso de You Gotta Go there to Come Back, do grupo inglês Stereophonics. Mesclando com raro artesanato lirismo e nervosismo, blues e rock´n´roll, baladas epedradas, o grupo liderado por Kelly Jones produziu um dosgrandes álbuns pop do ano, lançado aqui pela Sum Records. Até a velha guarda tem se rendido à classe doStereophonics - na terça-feira, Ronnie Wood, dos Rolling Stones,tocou com o grupo no Earls Court, em Londres, como forma deprestar sua homenagem ao som da banda. Lotaram o Wembley Arenacom 12 mil pessoas e já se mostram capazes de fazer isso emqualquer lugar do mundo. Kelly Jones, cantor, guitarrista, compositor e líder doStereophonics, falou com exclusividade à reportagem, na manhã dequarta-feira, por telefone, de Londres. Disse que tem planos devir ao Brasil, embora nada esteja fechado, em 2004. "Gostariamuito de ir. Teremos uma turnê internacional de 18 meses pelafrente e há alguns contatos nesse sentido. Espero que façamosshows no Brasil." Leia entrevista abaixo.Alguns críticos escreveram que seudisco remete diretamente aos grandes trabalhos de bandas deblues-rock dos anos 70, como o Cream de Eric Clapton.Kelly Jones - Não concordo. Acho que fazemos rock´n´rollmusic. Há alguma coisa de blues-rock, mas há também seções decordas, arranjos mais sofisticados. E uma abordagem de rock,especialmente coisas ligadas às raízes do gênero. Não gostomuito de Eric Clapton, esse é o fato. Sempre preferi Neil Younge Bob Dylan. E Otis Reading, que adoro.Ron Wood tocou na noite passada (terça-feira) noseu show em Londres, no Earls Court. Como foi isso?Ele é um amigo da gente, convidamos e ele veio.Tocou alguns números com a banda, como uma versão de Don´t Letme Down, dos Beatles, Handbags and Gladrags e Step on My OldSize Nines. Nos divertimos um bocado. Há muitos grupos tocando um determinado tipo demúsica, mais lírica e romântica, com belas vozes, procurando daruma dramaticidade ao canto. É o caso do Stereophonics, Travis,Radiohead, Coldplay. Você vê alguma conexão entre todos essesgrupos?Acho que sim. Todas são bandas tocando no mesmoperíodo de tempo e todas parecem querer aprimorar algo já feitopelas gerações passadas. Coldplay é uma grande banda. E eu souamigo dos caras do Travis. Há proximidade e também um jeito queparece ser comum, embora não igual.Uma coisa que dizem sobre você é que sua voz éidêntica à de Rod Stewart quando ele tinha 20 e poucos anos.Você concorda?Não é intencional, mas muita gente diz isso e euacho que deve ter algo a ver. The Faces foi uma grande banda (ogrupo inicial de Rod Stewart), mas eu gosto de Black Crowes, mesinto mais próximo do som deles.Você demorou dois anos fazendo esse disco. Por quetanto tempo?Não acho que seja muito tempo. De 1996 até agorafizemos quatro discos, é uma boa marca. Antes de fazer esseálbum, paramos um pouco para descansar. Em setembro, fomos aoestúdio e em dezembro já tínhamos o disco. Mas fazer música é umprocesso lento, requer atenção e paciência.E sobre o Brasil, você sabe algo da música daqui?Sei mais sobre o futebol do que sobre a música. Conheço só o Sepultura. O Drugstore também é uma banda legal.

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