Stereophonics, um bólido na noite de São Paulo

Até que Paul McCartney prove o contrário, foi a noite de rock’n’roll do ano na capital paulista

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2010 | 14h12

Arriscaria dizer que (até que Paul McCartney prove o contrário no Morumbi) foi a grande noite de rock’n’roll do ano em São Paulo. Stereophonics, do País de Gales, noite passada, no Citibank Hall lotado. Havia fãs de Minas, de Botucatu, do Rio de Janeiro, de todo lugar, e o lugar vibrava euforicamente.

Guitar band que alterna pauleira e distorção com baladas acústicas de refrões gritáveis, como Maybe Tomorrow, o Stereophonics nunca foi tão badalado como colegas seus ilustres do rock britânico (Oasis e Blur, por exemplo), mas certamente é melhor hoje que 80% dos conterrâneos. A voz rouca de Kelly Jones (sempre no limite de se tornar afônico no meio do show), mais um “descarrego” sem cerimônia de 24 canções, sem pausa para respirar, fizeram da noitada uma das melhores do ano para quem curte um rock direto, energético, primal.

Ao vivo, é fácil notar que o Stereophonics recicla em suas composições riffs muito conhecidos, como em She’s Alright (lembra muito R.E.M.) ou Pick a Part That’s New e More Life in a Tramp’s Vest, que soam como punk rock setentista – parecem bastante uma atualização de MC5, roquinhos como Kick Out the Jams ou Ramblin’ Rose, ou o toque punk glam de New York Dolls em Looking for a Kiss. Há um forte componente pop também, algo que bandas oitentistas, como Echo and The Bunnymen e Bauhaus cultivaram bem, mas o som do Stereo é mais solar que melancólico.

A verdade é que, numa primeira análise lombrosiana, nem parecia, na entrada do grupo, que iria sair um som tão massudo – os cabelinhos repartidos ao meio, curtos, um ou outro com gel, e as roupas que pareciam ter saído da loja Gap da esquina... Bom, os ingredientes colocados no palco não anunciavam radicalidade. De fato, foi outra coisa, uma festa para estimular a pulsão coletiva, a fantasia, a dança.

O grupo abriu com The Bartender and the Thief, pouco depois das 22 horas. É uma canção simbólica importante para a banda: foi o primeiro single de sua carreira, de 1998, composta pelo vocalista Kelly Jones em parceria com o ex-baterista Stuart Cable (encontrado morto em junho deste ano de overdose). Portanto, um tributo a um amigo caído.

Sempre houve uma cozinha poderosa no conceito musical do Stereophonics, e o baixo do grandalhão Richard Jones e o baterista mão-pesada argentino Javier Weyler fazem um arrastão implacável pelos ouvidos da audiência. O público cantou a plenos pulmões os refrões mais conhecidos, como “So maybe tomorrow I'll find my way home” (Então, talvez amanhã eu encontre meu caminho para casa), e também os não tão conhecidos, como os da nova paulada Trouble, que parece feita sob encomenda para os estádios. O show do Stereophonics transcorreu a 250 km por hora, sem pit stops, como o DeLorean do filme, e agora só resta aguardar por um retorno deles mais rápido ainda.

 

Set list

The Bartender and the Thief

A Thousand Trees

More Life In A Tramps Vest

Superman

Stuck In A Rut

Uppercut

Mr. Writer

Have A Nice Day

It Means Nothing

My Friends

Maybe Tomorrow

Soldiers Make Good Targets

Pass the Buck

Pick A Part That's New

Innocent

Too Many Sandwiches

Bright Red Star

Vegas Two Times

Just Looking

Local Boy In The Photograph

BIS:

Madame Helga

She's Alright

Trouble

Dakota

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