Stereolab volta renovado em novo CD

Um dos grupos experimentais mais aclamados da Europa nos anos 90 está de volta com novo disco, turnê e formação. O Stereolab, que muito antes do Air ou do Belle & Sebastian era a banda favorita dos fãs de música alternativa híbrida, lança o disco Sound Dust, que tem influência brasileira e duas músicas com letras em francês. A novidade em relação à formação mais recente é a saída da cantora Morgane Lhote, que resolveu se dedicar a novos projetos. Formado em 1991 pelo multiinstrumentista Tim Gane e sua então namorada francesa Laetitia Sadier, além de Martin Keaqn e Joe Dilworth, que trabalhava como fotógrafo da revista de rock Melody Maker, o Stereolab chamou atenção com o disco John Cage Bubblegum, que assumia a influência do pioneiro da música eletrônica na sonoridade do grupo. Misturando samples de beats eletrônicos com sons de sintetizadores de época, violões, guitarras e vocais meigos, a banda virou uma das preferidas da cena independente da Europa.Durante os anos 90, com diferentes formações, o Stereolab lançou um impressionante conjunto de trabalhos, incluindo The Groop Played Space Age Bachelor Pad Music; o quase minimalista Transient Random Noise-Bursts With Announcements; Music For The Amorphous Body Study Centre, que foi usado como trilha sonora de uma exposição do artista Charles Long em Nova York; o aclamado Emperor Tomato Ketchup; Dots And Loops, todo construído em computadores; e Cobra and Phases Group Play Voltage In the Milky Night, que revisitou o trabalho do próprio grupo. O novo disco, Sound Dust, foi gravado em Chicago em parceria com o músico John McEntire, do aclamado grupo Tortoise, que acompanhou Tom Zé em sua bem-sucedida turnê americana de 1999. Também participaram Jim O?Rourke, do grupo alternativo Gastr Del Sol, e um ex-integrante do Stereolab, Sean O?Hagan, que é hoje responsável pela sonoridade do High Llamas, outro grupo ligado à música brasileira, que assinou um remix de Tom Zé há poucos anos. Ao lado do Sonic Youth e Steven Malkmus, ex-integrante do Pavement, eles formam a elite da ?música alternativa cabeça? dos Estados Unidos atualmente.O novo álbum traz uma coleção uniforme de canções resultantes de um liqüidificador de elementos de bossa nova e trilhas sonoras dos anos 60, o trabalho do grupo francês Air, a sonoridade suja do trip hop dos 90 e vocais harmonizados do rock inglês independente dos 80. Uma das faixas, Nothing to Do With Me, contém um trecho sampleado de um polêmico programa humorístico inglês, o Jam, apresentado pelo recluso Chris Morris.Em sua atual turnê, o Stereolab leva ao palco sintetizadores antigos e instrumentos variados, produzindo boas interpretações de alguns de seus ?clássicos?. Com Tim Gane comandando guitarras e acessórios, Laetitia Sadier e Mary Hansen nos vocais, Simon Johns no baixo e Andy Ramsay na bateria, o grupo comprova que existe público para uma sonoridade inteligente e elaborada também nos Estados Unidos. O público brasileiro, que surpreendeu ao adotar o Belle & Sebastian sem maiores restrição, deve prestar atenção em Sound Dust, que chega ao mercado nacional nas próximas semanas.

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