Status Quo faz show em SP e Rio

Eles estão juntos há quase 40 anos.Sobreviveram à onda de separações de bandas na década de 80. Econquistaram fãs de várias gerações. "Gostamos do que fazemos,vivemos para isso e nos divertimos bastante quando estamosjuntos", explica o cantor e guitarrista Francis Rossi, quechegou a São Paulo esta semana ao lado de Rick Parfitt, AndrewBown, John Rhino Edwards e Matt Letley para a primeira turnê dabanda Status Quo pelo Brasil, que inclui uma apresentação amanhã, em São Paulo, e outra sábado, no Rio.O grupo surgiu em 1965, a partir da banda The Spectres,formada em 1962 por Rossi. Foi, aos poucos, ganhando espaço nocenário do rock inglês. O primeiro sucesso foi Pictures ofMatchstick Men, no fim da década de 60. De lá para cá, jálançaram 33 álbuns, emplacaram mais de 40 hits na parada inglesa- feito que os aproxima dos Rolling Stones e Beach Boys - echegaram até ao Guinness, por tocar, em 1991, em quatro lugaresdiferentes num só dia.O show em São Paulo faz parte da turnê do lançamento dodisco Heavy Traffic, o que coloca no programa canções novas,como All Stand Up, Solid Gold e Heavy Traffic. Paraos fãs de longa data, no entanto, sucessos da década de 70, comoGerdundula, 4500 Times, Down Down e Rain. "Naverdade, tudo acontece de acordo com o momento. Nada sai comoplanejado, então o ideal é sentir a platéia, o gosto dela, eprocurar preencher as expectativas", diz Rossi. E o que a bandaespera do público brasileiro? "Não temos idéia. Nossa únicaexperiência com latinos foi na Espanha e em Portugal. E lá, oque pudemos perceber, é que, mais do que canções específicas, oque interessa é a sensação geral do show."E Rossi completa que acha que é este o ideal. Não é quenão goste do público americano ou mesmo do inglês. Gosta, masacredita que o mais importante de seu trabalho é fazer músicassimples, que tenham algum tipo de sentimento. "No contato com opúblico, quando sentimos que há uma recíproca, uma interação, éque podemos nos soltar, tocar com o coração."Heavy Traffic é considerado o melhor discos da bandalançados nos últimos anos. Os fãs apontam como motivos a volta"aos bons tempos" do punk e do hardcore. "Ao longo dos anos,tivemos que nos adaptar, passamos pela fase eletrônica da décadade 80, mudamos, mas a essência sempre foi a mesma. Em momentonenhum perdemos a qualidade ou deixamos de nos preocupar comela. Ensaiar as mesmas músicas depois de tanto tempo é um saco,reconheço. Mas, no fim, vale a pena e acabamos sempre nosdivertindo."De qualquer forma, Rossi acredita que a banda conseguiu,mesmo que tenha se adaptado a correntes, manter-se longe dos"erros" cometidos por grupos criados nas décadas de 80 e 90."Hoje, é tudo indústria. A gravadora, no fim do ano, tem deapresentar aos acionistas um lucro, o que não tem nada a ver comqualidade, e achar que isso não interfere na produção artística.O que se fazia nas décadas de 60 e 70 ainda atrai público, osjovens de hoje ainda ouvem essa música. E isso porque erammúsicas com sentido. Agora, o que de tudo o que surgiu comogenial na década de 80 e 90 ainda permanece?"Após tanto tempo juntos, o grupo pensa em parar? "Porque deveríamos? Sei que uma banda ficar junta tanto tempo éestranho. Mas não deveria ser. No meu modo de ver, é algonatural quando se tem pessoas que gostam do que fazem e queremcontinuar fazendo-o até o fim da vida."Status Quo. Amanhã,às 22 horas. De R$ 40,00 a R$90,00. CredicardHall. Avenida das Nações Unidas, 17.955, SãoPaulo, tel. 6846-6000.

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