Springsteen volta a tocar rock

O veterano músico volta a tocar com a the E Street Band e retoma seu lado mais roqueiro

Emerson Lopes,

14 de novembro de 2007 | 05h10

Sempre que o cantor Bruce Springsteen lança um novo disco a crítica "especializada" afirma que o velho roqueiro nascido em Nova Jersey volta a entoar as agruras da vida do cidadão norte-americano e o discurso antiguerra em suas letras. É claro que isto é um fato recorrente nas letras de Springsteen e que merece ser citado, mas este tipo de crítica só aumentou o rótulo de que o cantor é um artista exclusivo para o público dos Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, Bruce Springsteen apareceu após o sucesso da música "We Are The World", na qual roubou a cena em um dueto inesquecível ao lado de Stevie Wonder. Na mesma época, em 1984, ele lançava Born In The USA, com uma bandeira dos Estados Unidos na capa do disco. A partir deste instante, aos olhos do público brasileiro, Bruce se tornou o garoto propaganda da cultura norte-americana e, até hoje, é está a imagem que o País tem do cantor.  Desde então, Springsteen lançou uma dezena de CDs e duas caixas com apresentações ao vivo e gravações que não entraram em seus discos antigo. Mesma assim, o cantor não conseguiu mudar a imagem perpetuada no meio dos anos 80. Para aumentar o estereótipo criado em torno de Springsteen, em 2001, após os atentados contra as torres gêmeas, em Nova York, o músico lançou o disco The Rising, no qual cantava as feridas do povo norte-americano, que até então se achava invulnerável. Esta longa introdução pode parecer sem propósito para o assunto principal deste texto, o novo disco Magic, mas talvez sirva para abrir a cabeça dos leitores que ainda acham que Bruce Springsteen é apenas "aquele cantor da música "Born In The USA"". Em seu novo disco, ele volta a gravar com a the E Street Band, que acompanha o músico desde os anos 70. Nos últimos dois CDs do cantor - Devil & Dust e The We Shall Overcome: The Seeger Sessions - os antigos camaradas não foram escalados.  O disco abre com "Radio Nowhere", uma das músicas mais contagiantes de toda a carreira do cantor. Em seguida, "You'll Be Comin'Down" mantém o clima elevado. Na faixa-título, a metáfora entra em campo para criticar a manipulação criada pelo governo Bush. Outras duas composições, "Gypsy Biker" e "Last To Die", falam sobre o legado deixado pelas guerras.  A diversidade sonora, apesar de o rock ser preponderante, é a principal característica deste disco. Bruce consegue criar as contagiantes "I'll Work For Yor Love" e a "Livin' In The Future" e em seguida apresentar "Girls In Their Summer Clothes", que remete o ouvinte aos hits dos anos 60. Para terminar, "Long Walk Home", considerada uma versão atualizada da música "My Hometown", de 1984, e "Terry's Song", composta em homenagem ao amigo Terry Magovern, morte este ano. Para quem não domina o inglês ou não se "preocupa" em entender as letras das músicas, Magic é, acima de tudo, um grande disco de rock e um registro importante da carreira do veterano Bruce Springsteen. Aos 58 anos de idade, mesmo com as dificuldades do mundo de hoje, o cantor continua sua jornada em direção a terra prometida, mesmo que ela nunca venha a ser alcançada.

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