SP tem nova etapa do Rumos Itaú de Música

Um novo e importante passo na produção fonográfica independente pode ser dado a partir desta terça-feira. A segunda etapa do projeto Rumos Itaú Cultural Música, idealizado há dois, tem início com três encontros a serem realizados de amanhã a quinta-feira, restrito a profissionais convidados, e a apresentação de espetáculos com músicos de dez Estados, que são parte do mapeamento musical do País feito no período de dois anos. Os shows vão ocorrer de sexta a domingo, com entrada franca, na sala azul do Itaú Cultural."Há duas coisas muito claras na produção cultural: gente produzindo e público interessado nessa produção. Quando iniciamos o projeto, a grande questão, além do mapeamento musical, foi a de se criar um meio para que houvesse a efetivação dessa relação. Durante estes três dias, queremos pensar e encontrar um caminho para a organização desse mercado cultural", afirma o músico Benjamim Taubkin, coordenador-geral do projeto.O primeiro encontro, que envolve a participação dos selos regionais responsáveis pelos lançamentos dos 78 nomes selecionados no mapeamento cultural, deve formalizar algumas ações para a difusão da produção independente no País. "Há uma intenção de desmistificar a questão de que o mercado regula a produção cultural. Então, por exemplo, vamos discutir não somente um ponto do processo fonográfico, como a distribuição, que é uma das grandes dificuldades para os pequenos selos, a difusão dessa música por meio de aproximações com outras mídias e até rádios locais. Ainda falta muita profissionalização em todas as etapas e o equívoco de se aplicar, sem novas adaptações alguns procedimentos da grande indústria do disco."Uma primeira ação que deve contribuir para o escoamento dessa produção é a criação de um banco de dados na Internet, no site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br). O espaço funciona como guia e traz informações, fundamentadas em muitas pesquisas, sobre espaços (órgãos de cultura, lojas de discos, festivais, projetos permanentes e locais de música ao vivo), mídia, produção (produtoras, estúdios, selos e gravadoras) e ensino (escolas e universidades de música).O segundo encontro, quarta-feira, é baseado em uma experiência bem-sucedida na agricultura. Segundo Taubkin, há uma analogia entre essas distintas áreas (música e agricultura). "Pode-se pensar no pequeno agricultor, que tem apreço pela manutenção da terra e do cultivo nela, como o dono de um selo ou um músico. Do outro lado, a monocultura, que, na música, é a grande indústria, despreocupada com o solo e sua fertilidade a longo prazo, centrada em uma única produção", explica ele.Para ilustrar essa analogia, Aloísio Leite, autor de Experiências de Organização, e José Pedro Santiago, da Associação de Agricultura Orgânica, vão expor suas experiências. "Nesse caso, pode-se pensar num exemplo mais real: quando se vai a um supermercado, encontra-se o produto sem agrotóxicos, criado com cuidado artesanal pelo pequeno produtor. Há um consumidor fiel para ele. E o mais importante: esse produto entra na grande rede de supermercados. O mesmo pode ocorrer com a música da produção independente."O último encontro dessa segunda etapa discutirá a difusão da música independente, apoiado por questões "que tocam em certas feridas". Os interlocutores serão os jornalistas Carlos Bozzo e Patrícia Palumbo.

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