SP tem jazz, do puro, o ano todo

Os jazzófilos paulistanos não têm do que reclamar. Eles não dependem dos parcos três dias do Free Jazz para saciar a fome do gênero nascido em New Orleans. Isso sem contar que o festival também abarca uma série de estilos para os quais os puristas torcem o nariz. A noite na cidade reserva pequenos palcos nos quais o jazz tradicional rola o ano todo, e onde o fim do polêmico patrocínio de cigarros não causa rebuliço algum.Dos muitos pontos na cidade, quatro bares se destacam pelo espaço reservado ao gênero. É lá que se apresentam renomados músicos brasileiros e internacionais. Todos esses bares cobram couvert artístico, mas há preços para todos os bolsos. Os ambientes têm aquele ar de pub e fotos, pôsteres e capas de disco de virtuoses do jazz enfeitam suas paredes.O All of Jazz, no Itaim-Bibi, não foge à regra. Criado em 95 pelo engenheiro aposentado e fã Antônio Augusto Deleuse, 57 anos, traz um cardápio musical que não se repete durante o mês. "É um espaço para música não-comercial, jazz e bossa nova." Durante a semana, trios se revezam e, aos fins de semana, os grupos aumentam para quintetos. O pianista e maestro Laércio de Freitas e o ex-baixista do Zimbo Trio, Luiz Chaves, dão canjas freqüentesA ótima idéia fica por conta da loja de CDs no andar superior e que funciona no mesmo horário do bar. São mais de 2 mil títulos com preços entre R$ 22 (nacionais) e R$ 29 (importados). Já no Garoa Bar, em Moema, não há CDs à venda, mas as paredes são decoradas com capas de álbuns de John Coltrane, Miles Davis, Thelonius Monk e outras feras.Canja na Net - Segundo o dono do Garoa, Paulo Tannus, 28 anos, a casa é um reduto de jazz purista. Lá se apresentam músicos da Jazz Sinfônica do Estado. "Queremos trazer atrações internacionais a partir do ano que vem. Também estamos ampliando a casa", diz.Apesar de estar mais para casa noturna, é impossível falar de jazz paulistano sem mencionar o Bourbon Street - que expandiu seu leque, dando mais espaço à música brasileira dançante, apesar de continuar com os pés no tradicional. Com nome inspirado na rua do French Quarter de New Orleans, o Bourbon já trouxe gente como Nina Simone e Nicholas Payton. Em novembro, com o Dinners Club Jazz Night, a casa traz a cantora Diane Reeves, o baixista Marcus Miller e cantor Kurt Elling.O SP Jazz é o caçula desses bares. Inaugurado há um mês na Vila Madalena, já existia como estúdio - que continua funcionando - desde 1989. Os músicos tocam na sala de gravação e o som é jogado para as caixas acústicas do bar. "Quem quiser gravar sua canja é só pedir", avisa o proprietário, Salvador Boccuto, um baterista entusiasta do jazz. Tomati, guitarrista do programa do Jô Soares, sermpre aparece por lá. O bar também disponibiliza no site www.spjazz.com.br faixas em MP3 dos shows realizados na casa. Ainda tem a proposta de reunir perfomances de artistas plásticos e exposições de fotografia.As opções, como se percebe, são muitas e variadas. Dá para se ouvir jazz quase o ano todo. E sem patrocínio. All of Jazz - Rua João Cachoeira, 1.366, tel.: 3849-1345. De segunda a sexta, das 19h30 até o último cliente, sábado, das 21 h até o último cliente. Couvert artístico de R$ 10 a R$ 15.Bourbon Street Music Club - Rua dos Chanés, 127, tel.: 5561-1643. De terça a domingo, das 20 h até o último cliente. Couvert artístico de R$ 15 a R$ 32.Garoa Bar - Rua Inhambu, 229, tel.: 5052-6933. De segunda a sábado, das 18 h até o último cliente. Couvert artístico de R$ 7 a R$ 10.SP Jazz Bar e Artes - Rua Medeiros de Albuquerque, 357, tel.: 3034-4300. De terça a sábado, das 20 h às 4 h. Couvert artístico de R$ 3 a R$ 5.

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