SP, RJ e DF fazem segunda noite do Prêmio Visa

Mais uma noite em que se ouviu música de excelente qualidade foi a da segunda eliminatória do Prêmio Visa de MPB - Edição Instrumental, apresentada na terça-feira, no Teatro Cultura Artística. Os candidatos vieram de três Estados: do Rio, o pianista Itamar Assiéri; de Brasília, os muito jovens violonistas Rogério Caetano e Daniel Santiago, que se apresentaram em duo; de São Paulo, o baterista Carlos Ezequiel, como também a dupla formada por Mário Eugênio (violão de sete cordas) e Milton Mori (bandolim). Trabalho para o júri, presidido pelo maestro Nelson Ayres, integrado pelo pianista Benjamin Taubkin, pelo violonista Ulisses Rocha, pelo compositor Arrigo Barnabé e que teve como convidado (a cada prova há um jurado convidado) o jornalista Jorge Cordeiro, do Jornal do Brasil.Itamar Assiéri, que tem larga experiência profissional, tocando com grandes nomes da música popular - atualmente faz parte do grupo que acompanha Nana Caymmi -, já havia participado do Visa, em sua primeira edição, que também foi dedicada aos instrumentistas. Voltou com formação diferente e pouco usual: trouxe à cena, para formar o quarteto, três percussionistas, três grandes nomes da percussão do samba: Ovídio, o melhor nome da cuíca, atualmente, Marcelinho Moreira, que toca com Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, e Rafael Barata, encarregado de um misto de bateria e percussão.Balanço latino Começou sua apresentação com um balanço latino de autoria de Moacir Santos, Katthy, e terminou (são obrigatórios quatro números para cada candidato) com uma versão de piano-solo, lenta, de O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, em que explorou as possibilidades harmônicas da melodia - a composição é, normalmente, mais lembrada pela poesia contundente de Aldir.Rogério Caetano e Daniel Santiago têm 21 e 22 anos, respectivamente. Participam do octeto Brasília Brasil (o nome do grupo dá título à primeira música que apresentaram), que acaba de gravar seu primeiro disco. Rogério também participou do primeiro Visa Instrumental, acompanhando o bandolinista Hamilton de Holanda, que ficou em segundo lugar, naquela ocasião. Fizeram, agora, show exuberante, técnico e criativo, extraindo o máximo da combinação dos dois violões em números como Lôro (Egberto Gismonti) e Menina Ilza (Hermeto Paschoal).Graduado em Berklee, Carlos Ezequiel fez a apresentação mais, pode-se dizer, difícil da noite. Não solou, como costumam fazer bateristas, mas demonstrou impressionante domínio técnico e uso criativo do instrumento, fazendo base para a guitarra midi e o contrabaixo acústico que dividiam com ele o palco. Mário Eugênio e Milton Mori preferiram o choro, violão e bandolim com ritmo marcado pelo pandeiro delicado de Marcelo Galani, em final de apresentação repleto de sutilezas harmônicas. Brilho raro.

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