SP recebe o mago do baixo Ron Carter

A reputação do baixista americano Ron Carter, de 66 anos, o precede. Em sua carreira, participou da gravação de mais de 3 mil discos, tocando com Tommy Flanagan, Gil Evans, Lena Horne, Bill Evans, B.B. King, The Kronos Quartet, Dexter Gordon, Wes Montgomery e Bobby Timmons. No começo dos anos 60, fez parte da mítica banda de Erik Dolphy (1928-1964). De 1963 a 1968, Carter integrou o não menos mítico Miles Davis Quintet. "Quando eu toco meu baixo, minha perspectiva é a seguinte: eu sempre imagino que seja a última chance que tenho de tocar bem", disse o modestíssimo baixista, em entrevista ao Estado por telefone, de Nova York, onde vive. Ele é a atração de hoje na série Diners Jazz no Bourbon Street com seu quarteto - o pianista Stephen Scott, o baterista Payton Crosley e o percussionista Stevie Kroon -, tendo como convidada a cantora brasileira Leny Andrade. Pai de dois filhos - um de 25 anos, que é pintor, e outro de 28, que toca baixo elétrico numa banda de reggae de Boston -, o artista tem um currículo aberto, amplo, cheio de perspectivas e sem notícias de concessões. Ele compôs música para muitos filmes, como A Paixão de Beatrice, de Bertrand Tavernier, e ganhou um Grammy pelas composições instrumentais de Round Midnight (tem três, um deles tocando com a Miles Davis Tribute Band, em 1993). Tem títulos de Baixista da Década por incontáveis diários americanos, e acumula o título de Baixista de Jazz do Ano da revista Downbeat, que o definiu outro dia como sendo um ´fiel modernista´, epígrafe com a qual ele concorda totalmente, aos risos. "Não tenho um ponto no qual ache que tenho mais desenvoltura, um sessionman, um compositor ou um professor", ele diz. "Faço tudo com a mesma convicção e vontade." Com Ron Carter, pela primeira vez, o Bourbon Street realizará hoje, às 18 horas, um ensaio aberto com um artista. "Acho que teremos platéia para um soundcheck, porque não teremos tempo para um workshop regular", resumiu Carter, que tem uma notória atividade na área de educação musical. Ele vai mostrar, com a sua banda, como um mito faz seu "aquecimento" para um show - no caso de Ron Carter, é complicado, porque o aquecimento dele é certamente um novo show. "O que digo para os iniciantes na música, em termos gerais, é que nunca tomem lições de música enquanto não tiverem certeza de que é isso que querem", adverte. "Depois, também não é fundamental que escolham um instrumento rapidamente; mais importante é fazer esse aprendizado de maneira completa, aprendendo composição, arranjo, tocando vários instrumentos, experimentando o piano." Talvez só Ray Brown tenha feito uma carreira tão sólida e discreta tocando seu baixo quanto esta de Ron Carter. Por sinal, o segundo venera o primeiro, morto recentemente. "Seu legado é marcante, tanto tocando o baixo quanto ampliando as noções de ritmo, de swing", disse Carter, também conhecido por sua ação social e firme posição política. "Estou muito triste e perturbado em razão dessa guerra", afirmou o músico. "Rezo todo dia para que ela acabe logo."Leia a íntegra da matéria no site do Estado

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