SP recebe o Black Eyed Peas, sensação do hip-hop

A febre de Where Is the Love, hit que liderou, em 2003, a lista das canções mais tocadas em qualquer país e que transformou o Black Eyed Peas em fenômeno de popularidade, passou. Mas, ainda assim, o momento em que o quarteto americano interpretou a canção no Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre, na quarta-feira, foi o ponto alto do show. Páreo duro com Pump it, faixa-título de Monkey Business (Universal Music), álbum que o grupo apresenta em turnê pelo Brasil, iniciada em Florianópolis no último dia 4. No sábado, é a vez de São Paulo receber, pela segunda vez, a sensação do hip-hop, no Anhembi. O BEP, formado por will.i.am, apl.de. ap, Taboo e a estonteante Fergie, pisou pela primeira vez por aqui em 2004, após o sucesso mundial do CD Elephunk (Universal Music). De lá para cá, o número de fãs no País aumentou significativamente. Na época, perto de 6 mil pessoas assistiram ao show do grupo, no Via Funchal. O público esperado para a Arena Skol, no sábado, é bem maior - o local pode comportar até 20 mil pessoas. O motivo do sucesso? A mistura bem trabalhada de hip-hop, rock, R&B, reggae, surf music e o que mais couber é mérito dos rapazes - e da moça. Monkey Business tem participações especiais de Justin Timberlake, Sting, Jack Johnson, Dante Santiago e James Brown. "Nosso hip-hop é, na verdade um jazz hip-hop, um rock hip-hop, uma bossa nova hip-hop", disse will.i. am, líder e produtor do grupo, em coletiva de imprensa realizada em Porto Alegre. O BEP surgiu há 15 anos em Los Angeles, com uma reunião entre will. i.am e Allen Pineda (apl.de.ap). Os dois fundaram o grupo de dança break Atban Klann, e se uniram mais tarde ao americano de origem mexicana a.k.a Jaime Gomez, o Taboo. Em 1998, foi lançado o primeiro CD do Black Eyed Peas, Behind the Front, ainda sem a presença de Stacy Ferguson, a Fergie. O grupo, diz Will, nunca foi ligado em rap de gângster, embora o Atban Klann tenha lançado um disco pela Ruthless Records, com o selo Eazy E. Quarteto diz ter relação especial com a música brasileira As letras das músicas do Black Eyed Peas falam muito sobre temas lights, como problemas amorosos e festas. Will nega, no entanto, que eles não façam críticas sociais. "Nós fazemos críticas, e diretas. O negócio é que algumas pessoas ouvem Where Is the Love (sobre o atentado do 11 de Setembro) e entendem a mensagem. Outras, não. E não é culpa nossa se as rádios elegem My Humps". A letra fala das "formas esculturais" da vocalista Fergie, que, aliás, deu um show de sensualidade ao interpretá-la em Porto Alegre. O quarteto californiano diz ter uma relação especial com a música brasileira. O videoclipe de Don?t Lie, hit de Monkey Business, mostra cenas do Rio de Janeiro, e o grupo produziu, em parceira com Sergio Mendes, um sample de Insensatez (Tom Jobim e Vinícius), do álbum Timeless, de Mendes (produzido por Will). O brasileiro talvez seja o grande responsável por essa relação entre o BEP e a nossa música. Os dois se tornaram grandes amigos. Tanto que, durante a coletiva, para fazer uma ?gracinha?, Will ligou de seu celular para Mendes, atualmente em Sydney, na Austrália e, colocando a ligação no modo viva-voz, pediu para que falasse com os repórteres. "Sergio Mendes nos explicou como nasceu a música brasileira. É uma mistura dos sons produzidos na Europa com aqueles da África", disse Will, que, junto com apl.de.ap (pronuncia-se ?Aple?) e Taboo, falou ao Estado, em Porto Alegre. "O mundo deveria unir as pessoas, assim tão facilmente quanto a música brasileira consegue unir os sons", disse Will, em um dos poucos momentos em que deixou de lado o tom de deboche. O ?cabeça? do grupo é um contador de histórias. Encena todas elas com expressões caricatas e interpretações cômicas, provocando boas risadas nos outros integrantes do grupo - e em quem quer que esteja por perto. Novo CD será lançado no fim de 2007 A repórter pergunta se o fato de Will cantar com o grupo e produzir os discos não gera algum tipo de conflito. "Não mesmo, a gente torce pelo bem de cada um. Aliás, todos já lançaram seus discos-solos e pretendem trabalhar em outros." Fergie, a loira que integrou o BEP em 2003, acaba de lançar um já bem-sucedido CD solo, The Dutchess. "Somos irmãos e é maravilhoso trabalhar com eles", frisou Taboo. Will tira casquinha: "Não, não... eu te odeio porque você sempre escreve as músicas!" Todos riem. A próxima empreitada do líder promete. Ele foi convidado pelo astro pop Michael Jackson para colaborar com a produção de seu novo CD. "Nós estávamos viajando em turnê, tocou o telefone e eu perguntei pro Will: Ei, cara, você gostaria de gravar com Michael Jackson? O assessor dele quer falar com você", contou Taboo. "Isso é uma coisa com a qual você nem sonha. O cara já vendeu um bilhão de discos!", disse Will. E os novos projetos? "Vou produzir um CD para Bush", diz Will. "O CD vai se chamar Mate-o... não, vai se chamar Mate o Mundo." Agora, falando sério, responde, na lata: "Nosso próximo disco vai ser lançado no fim do ano que vem e deve receber o nome de From The Roots to Fruits (das raízes aos frutos). Só revelo que não vamos lançá-lo no formato convencional de CD. Usaremos uma nova tecnologia." E os fãs brasileiros que não conseguirão ver de perto a performance do BEP podem se animar: eles prometeram voltar entre janeiro e fevereiro do ano que vem. Black Eyed Peas. Arena Skol Anhembi (25 mil pessoas). Av. Olavo Fontoura, 1.209, Pq. do Anhembi, 3168-7222. Amanhã, a partir das 22 horas. R$ 100 a R$ 200

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