Christopher Lazzaro
Christopher Lazzaro

SP, que virou rota para importantes festivais de música eletrônica, agora será palco do Electric Zoo

Eleito o melhor DJ do planeta por dois anos seguidos, holandês Hardwell é a principal atração do evento

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2017 | 05h00

São Paulo virou mesmo rota definitiva para os maiores e mais importantes festivais de música eletrônica do mundo. Depois do Dekmantel (holandês) e do Tomorrowland (belga), desta vez, porém, é o Electric Zoo que desembarca na cidade na semana que vem, no feriado do dia 21 de abril, no Autódromo de Interlagos. De origem norte-americana, o evento é conhecido mundialmente por atrair um público com um know-how ainda maior dentro do segmento. “São Paulo é uma cidade cosmopolita, com muita cultura e história. Ela lembra bastante Nova York em vários sentidos. O Brasil é popular por ter fãs fervorosos de música eletrônica. Essa é uma das razões pelas quais os artistas amam tanto se apresentar no País. Acreditamos que o mercado brasileiro, que já é enorme, continue a crescer até se tornar um dos mais fortes do mundo”, diz Jeff Wright, diretor criativo do Electric Zoo.

No Electric Zoo, todavia, esqueça os nomes batidos como Alok ou David Guetta, figurões de quase todos os line-ups tupiniquins. O festival aposta também em artistas que estão fora do mainstream. A principal atração desta edição inaugural do evento no Brasil é o holandês Hardwell, que se apresentou por aqui algumas vezes. Hardwell já levou o título de melhor DJ do mundo pela revista britânica DJ MAG, referência no ramo, nos anos de 2013 e 2014. 

Considerado um dos DJs mais famosos no segmento electro house (entenda as diferenças no quadro acima), Hardwell gerou polêmica em 2016, quando decidiu não participar do Tomorrowland. Especula-se que ele tenha se desentendido com o duo Dimitri Vegas & Like Mike. Os belgas, sempre presentes nos festival, foram eleitos os melhores de 2015 pela DJ MAG, deixando Hardwell na segunda posição. “Eles podem trazer os iPads para o estúdio, assim anotam algumas dicas!”, escreveu ele em sua conta oficial no Twitter. O tuíte, apagado poucos minutos depois, ironizava a suposta informação de que Dimitri Vegas & Like Mike haviam comprado votos do público. “Eu tinha certeza de que essa pergunta apareceria. Não quero me envolver em polêmicas. Faço apenas o meu trabalho, focado na produção”, disse o simpático Hardwell em entrevista ao Estado por telefone. 

As performances do holandês costumam ser enérgicas e recheadas de brincadeiras. Em julho do ano passado, durante o festival Ultra Europe, na Croácia, ele tocou a música de abertura do desenho japonês Pokémon. A canção executada por Hardwell foi tema de abertura dos primeiros 82 episódios do desenho que adaptou a franquia de games da Nintendo, no qual o jogador deve capturar monstrinhos e utilizá-los em batalhas. “Acho que o que fiz ali reflete bem o que penso da música e como ela deve ser: divertida. Peguei todo mundo de surpresa. Ninguém esperava ouvir a abertura de Pokémon, sabe? Acho que os fãs brasileiros podem esperar, sim, por coisas assim”, afirma Hardwell.

Festival. Criado em 2009 nos Estados Unidos, o Electric Zoo deve receber 20 mil pessoas no Autódromo de Interlagos, segundo a organização do evento. Serão, ao todo, três palcos: o principal, chamado King Cobra Stage; o Awakenings Stage; e o Tree House Stage. Hardwell fará show no palco King Cobra. Além dele, R3hab (Holanda), Alan Walker (Inglaterra), KSHMR (Estados Unidos) e R3hab (Holanda) também se apresentam por lá. Os representantes nacionais são Bruno Martini, The Juns, Elekfantz e Júnior C. O Electric Zoo já ganhou edições no México, no Japão e na China. 

A essência do festival é a interação dos elementos urbanos com a natureza e a combinação desses elementos com a música. Como em um zoológico, o espaço é tomado por animais - não reais, mas em esculturas, design de palco e artistas trajados, além do público fantasiado -, que ganham uma atmosfera tecnológica por causa da arquitetura da cidade e da música. “Queremos conectar as pessoas com seu animal interior”, completa o diretor criativo Jeff Wright.

BÊ-Á-BÁ ELETRÔNICO

Electro

Tem como característica o uso de sintetizadores, samplers e baterias eletrônicas. Quase não tem vocais.

Disco

Surgiu nos anos 1970 com bastante ritmo. Foi influenciada principalmente pelo som negro. O house nasceu da disco-music. 

House

Estilo preferido das pistas de dança. Espécie de upgrade da disco-music e que influenciou os gêneros que surgiram depois.

Techno

Variação da house com batidas mais pesadas. Não contém os claps (as famosas palmas), característicos do house e disco, por exemplo.

Trance

Apresenta alguns sons melódicos produzidos, em sua maioria, por sintetizadores. Pode ou não ter vocais.

ELECTRIC ZOO BRASIL 

Autódromo de Interlagos. Av. Senador Teotônio Vilela, 261, Interlagos. Tel.: 5666-8822. Dia 21/4, às 16h. De R$ 200 a R$ 1400

 

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