SP Noise, a mostra indie do cerrado que chega à capital

Extensão do festival Goiânia Noise rola na esquecida casa de shows Eazy e traz lote admirável de bandas novas

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2008 | 17h03

Festivalzinho bacana esse SP Noise, que rola hoje na esquecida casa de shows Eazy. É uma extensão do festival Goiânia Noise, tradicional mostra indie do cerrado, que desembarca em São Paulo com um lote admirável de bandas novas, como os canadenses do Black Mountain, e pelo menos uma histórica, o Vaselines, da Escócia. Veja também:Ouça a música 'Bad Kids' do Black Lips Ouça a música 'Veni Vidi Vice', do Black Lips   Mas é a combustão espontânea causada pelo som do grupo Black Lips, de Atlanta, sul dos Estados Unidos, que parece causar mais frisson. Descritos como "flower punk" (mistura de som hippie com punk rock), eles tocaram no mais recente festival Lollapalooza, em Chicago, e apesar de fazer show ao meio-dia, tiveram em sua platéia fãs ilustres, como os colegas do grupo Black Kids. "A expressão Flower Punk designa um tipo de música que mistura som psicodélico com a velocidade e a crueza do punk rock. Tem a ver com o que fazemos, mas no fundo isso não significa muito", disse ao Estado o baixista e vocalista Jared Swilley, que forma com Cole Alexander (guitarra e vocais), Ian Saint Pe (guitarra) e Joe Bradley (bateria), o grupo Black Lips. Jared tinha acabado de chegar a Brasília, onde o grupo fora comer numa churrascaria. Tinha visto pouco do Brasil. "Claro que gosto de tocar em grandes festivais, como o Lollapalooza. Quando eu era moleque, sonhava um dia tocar em um festival como esse. Mas é diferente de tocar em um bar ou em festas na casa de amigos. Eu gosto mais. O tempo todo a gente toca em festas nas casas de amigos", revelou Jared, fã de um tipo de rock’n’roll old fashion que quase não se ouvia mais antes de eles aparecerem. A inspiração num rock’n’roll esquecido está em todo lugar no som do grupo. O título do disco mais recente do grupo, Good Bad Not Evil, é inspirado numa canção do grupo The Shangri-Las, Walk Right Up To Him (Give Him A Great Big Kiss). Sangri-Las era um grupo de garotas dos anos 1960. O disco do Black Lips foi gravado em Atlanta, no estúdio The Living Room, com participações bizarras, como o garçom Ed Rawls, que serve a banda no seu bar preferido, o Drunken Unicorn, algumas quadras dali. "Com a chegada dos selos modernos, muito daquela música dos anos 1960 se perdeu. Eu adoro Beach Boys, adoro aquele tipo de som. O que tentamos é fazer a música mais dançável possível, e ajudar o cara a ter uma noite bacana, como se estivesse em uma festa", diz Jared. "Duas guitarras engolindo(e vomitando) o punk, country e o rockabilly de uma maneira única, como se Johnny Cash (nos anos 50, que fique claro) gravasse uma jam com o Velvet Underground fase White Light White Heat na garagem do Husker Dü. Em meu planeta, esta é a descrição de uma banda perfeita", diz o entusiasmado texto de apresentação da banda no site do festival. Freqüentemente citado por Kurt Cobain, do Nirvana, nos anos 1990, o então desconhecido grupo escocês The Vaselines experimentou um prestígio inusitado. A banda foi formada em Edimburgo em 1987 pelos cantores e guitarristas Eugene Kelly e Frances McKee. Mais tarde, o irmão de Kelly, Charles, entrou na bateria e James Seenan assumiu o contrabaixo. Em 1987, lançaram um single, Son of a Gun e um ano depois Dying for It, que incluía Sophie Pragnell tocando viola, num tributo ao Velvet Underground.  QUINTA, 20Black Mountain (Canadá)Flaming Sideburns (Finlândia)Motek (Bélgica)Os Ambervisions (SC)The Tormentos (Argentina)Black Drawing Chalks (GO) SEXTA, 21The Vaselines (Escócia)Black Lips (USA)The Ganjas (Chile)Do Amor (RJ)Calumet-Hecla (USA)Homiepie (SP) ServiçoSP Noise Festival. Eazy. Av. Marquês de São Vicente, 1.767, tel. 3611-3121. Quinta, 18 h; Sexta, 17 h. R$ 65 a R$ 80 

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