SP, MG e CE fazem 1ª eliminatória do Prêmio Visa

Foi muito bom o nível dos concorrentes que se apresentaram na primeira eliminatória da quarta edição do Prêmio Visa de MPB, dedicada aos instrumentistas, realizada ontem, no Teatro Cultura Artística. Por ordem, tocaram o quarteto cearense Marimbanda, o violeiro mineiro - mas radicado em Brasília - Roberto Corrêa, o baterista Sérgio Reze - que compôs, em cena, formações com outros músicos - e o Trio Quintessência. Os dois últimos candidatos são de São Paulo.O Marimbanda é formado por músicos de muitas qualidades e mostrou entrosamento que faz suspeitar de longa convivência musical. Os instrumentistas são Ítalo Almeida (piano), Júnior Pimenta (baixo elétrico), Heriberto Porto (flauta) e Luizinho Duarte (bateria). A música deles é de pulso carregado, com sustentação do toque milimetricamente perfeito - sem deixar de ser delicado - da bateria e na maração incisiva do contrabaixo. De acordo com o regulamento, cada candidato apresenta quatro músicas; duas delas devem ser conhecidas, para que o júri possa avaliar a criatividade do instrumentista ao trabalhar com temas mais populares. A escolha do Marimbanda caiu sobre baiões - Qui nem Jiló, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira, e Pisa na Fulô, de João do Vale, Ernesto Pires e Silviera Júnior. O clima resultante dos arranjos, neste e nos dois outros temas escolhidos, remete à fusão samba-jazz muito comum nos anos 80, com espaço para solos individuais.A viola caipira é um instrumento de poucos recursos aparentes - ou usada, comumente, de maneira muito simples. Roberto Corrêa mostrou o quanto pode a viola ser sofisticada, interpretando arranjos surpreendentes para números complexos como o Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos, o choro Brejeiro, de Ernesto Nazaré, o baião Asa Branca, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira. Roberto encerrou sua apresentação com uma peça própria, um quase estudo para o instrumento, de estrutura circular, denominado Futrica Infinita.O terceiro candidato da primeira eliminatória foi o baterista Sérgio Reze, que trouxe à cena, para o número de abertura, o contrabaixista Célio Barros (vencedor da primeira edição do Prêmio Visa) e o pianista Emílio Mendonça. Com eles, fez uma bela e incomum junção de Chovendo na Roseira, de Tom Jobim com Alegre Menina, de Dori Caymmi e Jorge Amado. Sérgio começou ele mesmo apresentando o tema jobiniano, solando-o em sete placas redondas - com som orgânico, provavelmente feitas de cerâmica - penduradas à sua volta. É um baterista extraordinário, criativo, capaz de saltar de atmosferas tensas para outras de grande ternura em breve instante, sem quebra da unidade da apresentação. Os outros músicos que tocaram com ele foram o flautista Fernando Moriconi e o violonista André Olzon, jovens e ótimos.No encerramento da noite, apresentou-se o Trio Quintessência, formado por Aleh Ferreira (bandolim), Júlio Cerezo Ortiz (violoncelo) e Alessandro Penezzi (violão). Fizeram apresentação exuberante, que entusiasmou o público. Para a platéia, foram os preferidos da primeira eliminatória. A segunda e a terceira provas do Visa serão realizadas na terça e quarta-feira próximas.

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