SP e MG fazem final do 3º Prêmio Visa de MPB

Inscreveu-se gente do País inteiro, mas o vitorioso será de Minas ou São Paulo. Os cinco finalistas do 3.º Prêmio Visa de MPB - Edição Compositores são mineiros - três deles - e paulistas - os outros dois. Não há mulheres na final que acontece sábado - o prêmio reflete uma tendência da música brasileira: temos muitas intérpretes, poucas compositoras.Na ordem em que vão se apresentar, são os seguintes os finalistas: Renato Motha, Mário Gil (ambos mineiros), Chico Pinheiro (paulista), Flávio Henrique (mineiro) e Dante Ozzetti (paulista). O nome do vencedor será conhecido após a apresentação dos candidatos. O total de prêmios soma R$ 87.500. O grande vencedor receberá R$ 50 mil e terá o direito de gravar um disco pela Eldorado.A apresentação começa às 20 horas, na Sala Esther Mesquita, do Teatro Cultura Artística. Na abertura, a Orquestra Jazz Sinfônica apresentará Vera Cruz, de Milton Nascimento, com arranjo e regência do maestro Cyro Pereira. Enquanto o júri estiver desempenhando a - dificílima - tarefa de escolher o vencedor, a Jazz Sinfônica receberá o compositor Edu Lobo, que vai apresentar oito números, acompanhado, além de orquestra, pelo quarteto formado por João Rebouças (piano), Jurim Moreira (bateria), Dirceu Leite (saxofone e flauta) e Bororó (contrabaixo).Entre as peças escolhidas por Edu estão Choro Bandido (dele e de Chico Buarque), Corrupião (só dele) e A História de Lilly Brown (outra parceria com Chico). Edu convidou a cantora Mônica Salmaso, que ele considera a melhor voz surgida nos últimos anos, para cantar Lilly Brown. Mônica foi a vencedora, no ano passado, da segunda edição do Prêmio Visa, dedicada aos intérpretes. Edu Lobo vai, ainda, apresentar uma composição inédita, Acalanto, parceria com Paulo César Pinheiro.O espetáculo será transmitido ao vivo pela Rádio Eldorado FM (92,9), pelo Canal 21 e com acompanhamento noticioso pela Rádio Eldorado AM (700 kHz) e pelo site da emissora (www.radioeldorado.com.br).Revelações - O Prêmio Visa de MPB é uma produção da Rádio Eldorado, com patrocínio dos cartões Visa. Em sua primeira edição, há dois anos, revelou, empatados em primeiro lugar, o pianista André Mehmari e o contrabaixista Célio Barros. Mônica Salmaso foi reconhecida melhor intérprete no ano passado.Dos cinco classificados no Visa, dois estão também no Festival de Música Brasileira, promoção da TV Globo, cujas eliminatórias começam no mês que vem: Dante Ozzetti e Chico Pinheiro. Como admite a produção do concurso da emissora de televisão, a existência do Visa foi importante para que a Globo decidisse retomar a tradição dos festivais, que, entre os anos 60 e 80, revelaram os grandes nomes da música popular - Edu Lobo entre eles, integrante de uma geração que tem como representantes Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, todos revelados em festivais.A distribuição dos prêmios do Visa será assim: R$ 50 mil mais o direito de fazer o disco pela Eldorado para o primeiro lugar; R$ 15 mil para o segundo colocado; R$ 10 mil para o terceiro; R$ 7.500 para o quarto; e R$ 5 mil para o quinto. O Prêmio Visa de MPB tem peculiaridades que o distinguem de outros festivais de música. A principal delas é que não busca premiar uma composição, mas uma obra: a intenção é revelar um compositor, não o autor eventual de uma canção que possa, por qualidades reais ou por qualquer motivo fortuito, ser mais bem recebida pelo público do que as outras concorrentes. Não é um prêmio comercial - a intenção não é seguir as tendências do mercado, mas revelar tendências que enriqueçam o tão empobrecido cenário da música popular brasileira. Cada um dos 24 concorrentes classificados para a primeira etapa, eliminatória, apresentaram quatro músicas diferentes; os 12 que passaram para a etapa seguinte, semifinal, tiveram de apresentar pelo menos mais duas músicas novas; e os cinco finalistas precisarão mostrar pelo menos mais uma nova composição. Dessa forma, cada finalista terá mostrado ao público e ao júri no mínimo sete composições diferentes. Esse conjunto é que está sendo avaliado.O regulamento apresentou poucas restrições aos 2.754 incritos: eles não poderiam ter músicas gravadas, por si ou por terceiros, antes do dia 1.º de outubro de 1988. O propósito da limitação foi o de assegurar a renovação do quadro de autores; e as letras deveriam ser em português (uma palavra ou citação em outra língua não descaracterizaria a composição como brasileira). Um júri fixo, presidido pelo maestro Nelson Ayres e integrado pelos compositores Théo de Barros e Arrigo Barnabé, pela cantora Cida Moreira e pelo professor de Literatura Brasileira Augusto Massi, acompanhou todas as etapas - as seis provas eliminatórias e as quatro semifinais - e estará acompanhando a final de sábado. A cada prova, a convite da produção, havia um jurado convidado, alguém ligado à produção musical ou à crítica. Uma maneira, como explica o maestro Nelson Ayres, de garantir um olhar novo, uma opinião externa que oferecesse alguma dimensão diversa aos critérios de julgamento. É certo que Renato Motha, Mário Gil, Chico Pinheiro, Flávio Henrique e Dante Ozzetti estão entre os maiores jovens compositores brasileiros. Um deles vencerá, mas, ao dar-lhes voz, o Prêmio Visa já cumpriu seu papel.3.º Prêmio Visa de MPB - Edição Compositores. Final, com a Orquestra Jazz Sinfônica, sob a regência dos maestros Cyro Pereira e Nelson Ayres, prestando homenagem a Edu Lobo. Participação de Mônica Salmaso. Sábado, às 20 horas. Ingressos esgotados. Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita. Rua Nestor Pestana, 196, tel. 256-0223.

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