Cultura Artística/Divulgação
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Soprano Anna Caterina Antonacci compartilhou carismática presença cênica em São Paulo

A voz e a beleza da soprano italiana foi exibida em recital realizado na Sala São Paulo

João Marcos Coelho, Especial para o Estado

04 de agosto de 2015 | 18h46

Além do porte e da beleza que já provocaram associações justificadas com a romana Sophia Loren, Anna Caterina Antonacci compartilhou sua carismática presença cênica e voz excepcional com o público nesta segunda-feira, 3, na Sala São Paulo. Acompanhada pelo ótimo pianista Maciej Pikulski, mostrou que tem o poder de revelar climas, situações e sensações contrastadas entre um e outro ciclo de canções. Ou seja, o melhor que se pode esperar de um recital desses.

La Antonacci é soprano e mezzo-soprano ao mesmo tempo. Canta com conforto nos registros médio-agudo, reina com charme nos registros graves, possui timbre agradável e boa potência vocal.

Ela abriu e concluiu o recital à francesa: uma leitura emocionante de La mort d’Ophélie de Berlioz; e, no final, pôs o público literalmente a seus pés com uma incendiária Chanson Bohème da Carmen de Bizet. Entre uma e outra, incrustou duas gemas. As três Chansons de Bilitis celebrando o amor lésbico nos versos de Pierre Louÿs, que pediu a Debussy – e foi atendido – “oito páginas de violinos, silêncios e acordes cor de cobre”. Ravel pôs todo o seu talento nas geniais Cinco melodias populares gregas, ora intercalando voz e acompanhamento, como em “Quel galant m’est comparable”, ora ritmando onomatopeias em Tout gai.

Antonacci transmite corporal e vocalmente um refinamento raro. Como nas ótimas canções de Ottorino Respighi. Sutis, flutuam entre o canto e a quase-fala em Sopra un’aria antica, transição tênue recriada com a finesse exata. 

Dois ciclos extrovertidos, cada qual à sua maneira, completaram a noite. De um lado, as contagiantes Cinco canções em dialeto veneziano de Reynaldo Hahn, o dândi venezuelano que reinou nos salões da Paris da primeira metade do século 20. A receita infalível é simplicidade de construção aliada a um dom melódico de exceção. Não só La Barcheta, a mais conhecida, como as demais, caso de La Biondina in Gondoleta, receberam performances entusiasmantes.

Do outro, a viagem encantadora de Manuel de Falla sobre as canções e danças populares das províncias de seu país nas “Sete canções populares espanholas”. Seguidillas vertiginosas e jotas onde virtualmente se ouviam castanholas – prefigurações ideais para a deliciosa Carmen que a bela Anna Caterina encarnou com paixão e erotismo no número final.


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