Sony e ONG da Rocinha lançam disco

A gravadora Sony Music uniu-se à ONG Rocinha XXI para lançar o primeiro CD beneficente do projeto. Com dois coros, um juvenil e um infantil, além de um quinteto de cordas, percussão e acordeão, o CD traz sucessos de Djavan, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Toquinho e canções clássicas de corais internacionais. A diferença desse CD e dos lançamentos da Sony Music é que a renda será revertida para a ampliação da Escola de Música da Rocinha, além da criação de uma nova escola, uma luteria (fabriqueta de instrumentos musicais), uma marcenaria e a manutenção de uma creche para crianças carentes da região.Criada em 1998, a ONG Rocinha XXI tenta estimular a população do bairro a buscar soluções para os problemas da Rocinha. "Temos uma proposta socioeducacional e econômica, porque aqui, como costumamos dizer, é a melhor favela do Rio, mas o pior bairro", disse em agosto o presidente da entidade, Carlos Costa.CorredorOutro objetivo da ONG na ocasião, dizia Costa era a criação de um "corredor nordestino" no local. A população da Rocinha é formada por 79% de nordestinos. Precisamos estimular as atividades culturais, assim como o comércio de produtos característicos." Mas há outras possibilidades e soluções que começaram a ser gestadas bem antes do surgimento da ONG.A Escola de Música é uma delas. Foi fundada e é presidida há 7 anos pelo pianista e concertista alemão Hans Ulrich Koch, que era então professor da escola de música Corcovado. Hoje, tem 140 alunos e as atividades voltadas para a iniciação musical de jovens da Rocinha. O lançamento de um CD por uma grande gravadora tem o poder de dar visibilidade ao projeto, além de ser uma atividade-fim que dá grande satisfação aos jovens talentos da maior favela da América Latina.Em 1996, Hans Koch, o professor de música da Rocinha, conseguiu montar uma apresentação conjunta dos seus pupilos brasileiros com os integrantes da Orquestra de Acordeões de Baden-Wutemburgo, quando vieram ao Brasil pela primeira vez. Há 16 anos vivendo no Brasil, Koch ficou tocado com a situação das crianças carentes do Rio. Ele decidiu então desenvolver um trabalho em favelas. Em conversa com jesuítas da Associação Padre Anchieta, decidiu-se pela escola.

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