Sonny Rollins salva a jornada musical em SP

Saxofonista leva 10 mil ao parque; público do TIM Festival foi de 26 mil e aplaudiu Gogol Bordello e Bill Frisell

Jotabê Medeiros, do Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2008 | 16h25

O show gratuito matinal de Sonny Rollins atraiu 10 mil pessoas ao parque do Ibirapuera e acabou se tornando o emblema mais forte dessa sexta edição do TIM Festival. Mesmo debaixo de um sol inclemente, as pessoas compareceram com alegria e espírito de civilidade ao parque, acompanhando o concerto do veterano músico de 78 anos sentados no gramado, refugiados sob as árvores e fazendo a alegria do homem do carrinho de sorvete. Veja também:Especial: Festival traz cardápio variado de gêneros Com show tecnológico, Kanye West impressiona em São Paulo Rollins, que já abriu com disposição para a festa, tocando a caribenha Don’t Stop the Carnival, foi extremamente simpático, solou na beirada do palco e demonstrou notável vigor em sua roupa escura, insalubre ao sol escaldante. Ao final, emendou Isn’t She Lovely, de Stevie Wonder, à clássica St. Thomas, cativando o público. O som, baixo demais, e às vezes os melhores solos do mestre ficavam um tanto inaudíveis. O baixista de Sonny, Bobby Cranshaw, explicava antes do show a ausência do percussionista do grupo, Kimati Dinuzulu. "Ele ficou doente dois dias antes de embarcarmos para o Brasil e está num hospital em Nova York", disse Cranshaw.  Muitos estão dizendo que essa foi a "edição mais fraca" da mostra. Outros, que essa foi a edição mais "zicada", por conta dos cancelamentos de Paul Weller e Gossip. Segundo a organização, 25.912 pessoas viram os shows em São Paulo (incluindo os 10 mil do concerto gratuito de Sonny), 26.473 viram no Rio de Janeiro e 1.902 em Vitória (ES). Os números são menores do que a média histórica do festival (que era de 86% de ocupação). A queda de público, segundo a organização, seria decorrência da inclusão de nomes menos populares do cast artístico, e que - por conta dessa característica e do novo endereço, o Parque do Ibirapuera, o resultado ainda é de se comemorar. Mas o ingresso bem mais caro também pode ter contribuído para platéias ralas. Um dos grupos que mais sofreu dessa inanição de público foi o britânico The Klaxons, cuja ocupação da tenda principal da Arena Ibirapuera não foi maior do que um terço. Kanye West, nome multimilionário do rap norte-americano, tocou para metade da lotação do espaço.  Ao final do show de Kanye, os seguranças fizeram um "arrastão" para tirar os espectadores da tenda, seguindo recomendação de não deixar os shows ultrapassarem a meia-noite. Além desse súbito encaretamento do show biz em São Paulo, houve a discrepância de qualidade sonora - a potência descontrolada do som do MGMT, Dan Deacon e de Kanye West comprometiam a apreciação da música e a saúde dos ouvidos. Os cancelamentos de Paul Weller e Gossip não são considerados um fato extraordinário na história do festival - no ano passado, as cantoras Feist e Roberta Gambarini também cancelaram de última hora. É chato, mas os fãs de Dan Deacon, Junior Boys e DJ Yoda estavam lá, o problema é que não enchiam uma supertenda daquelas. Na seara jazzística, o festival deu um salto de qualidade: enquanto que no ano passado o único nome histórico, Cecil Taylor, fez um show fraco, dessa vez as charmosas cantoras Esperanza Spalding e Stacey Kent, o mito Sonny Rollins, o virtuoso Bill Frisell e a vanguardista Carla Bley ofereceram um leque amplo do que de melhor o gênero produz. Entre os grupos pop que realmente disseram a que vieram está o combo multiculturalista denominado Gogol Bordello, que fez uma farra de pouco mais de uma hora. Simulando excesso alcoólico, o líder da banda atacou até umas músicas incidentais em português, como Tropicana, de Alceu Valença, em ritmo punk, o que fez a platéia cair na risada e na dança.

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