Sonic Youth fecha primeira noite do Free Jazz

Thurston Moore, porta-voz da banda Sonic Youth, que ontem à noite fechou o primeiro dia de Free Jazz no Rio de Janeiro, achou ótimo tocar no Brasil. "Em nenhum momento parecia que estávamos em um festival de jazz e sim tocando para quatro mil pessoas que gostam de música experimental", comentou. Hoje, a partir das 23h, no palco Main Stage instalado no Jockey Club de São Paulo, os nova iorquinos repetem a dose. Com certeza não vão faltar os improvisos e canções clássicas que fizeram deles o principal nome do rock alternativo novaiorquino. Para quem não conseguiu ingressos, ir a uma loja de CDs e adquirir NYC Ghosts & Flowers, novo álbum do conjunto, pode ser um bom consolo. "Em Nova York conhecemos muitos brasileiros, ouço muito a música feita por aqui, principalmente os primeiros discos de Gal Costa, Gilberto Gil e Edu Lobo", disse Moore. "Nós todos tínhamos grande expectativa de tocar no Brasil". No show de ontem, além da formação oficial, que conta com Kim Gordon, Steve Shelley e Lee Ranaldo, a banda dividiu o palco com Jim O´Rourke, produtor de NYC Ghosts & Flowers. Ele tocou contra-baixo. "Caetano Veloso esteve lá e Jim foi dar um abraço nele depois do espetáculo", revelou o guitarrista e vocalista. Jim é produtor do Sonic Youth e de alguns dos principais nomes da cena indie norte-americana. Além disso, é um confesso entusiasta da música brasileira.Fantasmas e Flores - Antes de vir ao Brasil, o Sonic Youth esteve em giro pelos Estados Unidos ao lado do Pearl Jam, única banda sobrevivente do movimento grunge de Seatle. Estavam divulgando o novo disco, 15º de uma carreira que começou em 1982 e teve seu ápice no início dos 90. Na última década assinaram com a gravadora Geffen e produziram trabalhos com menor teor experimental. No entanto, em NYC Ghosts & Flowers o quarteto voltou a abusar dos improvisos e das texturas não usuais. "Tem coisas em que acreditávamos no começo da carreira que continuamos acreditando. Mas o processo de composição deste disco não diferiu em nada dos anteriores", explicou Moore. Segundo ele, o que talvez possa ter influenciado o resultado final do disco foi o fato de os instrumentos da banda terem sido roubados pouco antes do início das gravações. "De repente nos vimos como no início da carreira, com poucas opções técnicas. No entanto, tínhamos a experiência que adquirimos nos últimos anos", finalizou.

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