Juliano Sarra
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Roberta Martinelli
Som a pino
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Som a Pino: 'Você já conhece?'

Fiquei com o nome da banda ali no arquivo da cabeça, até que começaram a martelar mais e mais e agora eu que pergunto: ei, você já conhece Afrocidade?

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 02h00

Vira e mexe acontece de uma novidade musical começar a pipocar em rodas de conversa, já ouviu isso? Já viu o show daquela banda? Já conhece esse som novo? Já foi num show da banda tal? Tem que ouvir. Tem que ver. E assim curiosos para ouvir ou conhecer começam a se espalhar.

É a melhor maneira de divulgação ainda! Fim do ano passado ouvi pela primeira vez “sabe quem são?”. Fiquei com o nome da banda ali no arquivo da cabeça, até que começaram a martelar mais e mais e agora eu que pergunto: ei, você já conhece Afrocidade?

LUTA E RESISTÊNCIA 

Foi assim, em rodas, de boca em boca (a maneira mais natural de começar a circular) que a banda Afrocidade chegou ao meu ouvido. Eles vêm de Camaçari, Bahia, “uma cidade que tem cerca de 250 mil habitantes e nela está o segundo maior polo eletroquímico da América Latina, por conta disso a cultura da cidade ficou meio apagada e as coisas passaram a circular apenas em torno do polo, fazendo com que os habitantes se tornassem reféns da indústria. A gente acredita que houve uma estratégia para fazer com que a região fosse apenas um lugar que fornecesse mão de obra barata. A cidade tem um PIB muito alto, mas a gente não vê investimentos nem contrapartida social ou cultural. Camaçari é bastante explorada e tem também muita expressão na área cultural, porém, isso é apagado”, disse Eric Mazzone, um dos iniciadores da banda que ministrava oficinas de percussão na Escola de Música da Cidade do Saber, escola de formação artística. 

Foi lá que muitos se encontraram, nas aulas, oficinas, começaram a fazer shows, participaram da Cidade em Cena, mostra anual em que os alunos da escola se apresentavam, e em 2013 a banda começou a tocar na noite. Em 2016, lançaram um EP, Cabeça de Tambor, produção conjunta com Rafa Dias, do Attoxxa, e devem estar matutando um primeiro disco, que já aguardamos ansiosos (sem cobrança, ansiedade é também vontade e torcida). 

Eles chegaram a São Paulo na semana passada para uma minitemporada. Já foram os shows em Jundiaí com Xênia França, Santos com Luedji Luna, e ainda tem Ribeirão Preto, Festival de Arte da Serrinha e, finalmente, São Paulo no dia 26 de julho no Sesc Pompeia com participação de Rincon Sapiência.

O Afrocidade surgiu com um discurso de luta e resistência. “Veio de uma necessidade, podemos afirmar que é algo muito verdadeiro. Nossa relação do som com a cidade vai além das questões, também trouxemos uma oportunidade de a cidade se divertir e poder dançar. A gente busca através da música afirmar que nossa cidade é muito mais do que máquina e poluição”, completou Eric.

Temos certeza disso vendo o lindo e potente trabalho da banda! 

MÚSICA DA SEMANA:

Flor do Sonho 

Primeira música lançada do quarto disco do cantor, compositor e instrumentista paraense Saulo Duarte. Um tira-gosto do que está por vir no primeiro disco totalmente solo dele. Digo totalmente pois, nos outros trabalhos, ele assinava como banda Saulo Duarte e a Unidade. Estamos aguardando ansiosos o disco novo.

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