Flora Pimentel
Flora Pimentel

Som a Pino: ‘Tanta coisa rara...’

Hoje na coluna uma seleção musical toda pensada na nossa mata, na terra, nos indígenas, água, natureza, mundo...

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2019 | 02h02

Segunda-feira da semana passada eu estava a caminho de uma reunião com minha filha de 7 meses quando o céu escureceu em São Paulo. Liguei e avisei que não ia mais pois ia chover muito e eu estava com a pequena naquela tarde. Voltei para casa e fizemos a reunião via telefone. Mas não choveu. Nada. E o dia virou noite em São Paulo no meio de uma tarde de segunda-feira. Estranho. Depois de um tempo li que a fumaça das queimadas na região da Amazônia e Pantanal causou o que vivemos aquele dia. Mas o que isso tem a ver com música?

Tem a ver com tudo. Com arte, com política, com vida. A nossa vida e do nosso planeta. É urgente demais. E, por isso, hoje na coluna uma seleção musical toda pensada na nossa mata, na terra, nos indígenas, água, natureza, mundo...

Para começar, a escolhida é uma canção de Tom Jobim, Borzeguim, que está no disco Passarim, de 1987: “Deixa o tatu-bola no lugar, deixa a capivara atravessar, deixa a anta cruzar o ribeirão, deixa o índio vivo no sertão, deixa o índio vivo nu, deixa o índio vivo, deixa o índio, deixa...”. Deixa. 

Outra música fundamental para esse momento é uma composição do Carlos Rennó, parceria com Chico César, que está no disco Estado de Poesia. É uma longa música que fala do uso desordenado de pesticidas e agrotóxicos na plantação, das leis que aprovam transgênicos, da poluição causada pelas queimadas e tantas coisas mais, é uma canção/discurso importantíssima: “Ó donos do agrobusiness, ó reis do agronegócio, ó produtores de alimento com veneno. Vocês que aumentam todo ano sua posse e que poluem cada palmo de terreno, e que possuem cada qual um latifúndio, e que destratam e destroem o ambiente. De cada mente de vocês olhei no fundo e vi o quanto cada um, no fundo, mente”. 

Outra composição do Carlos Rennó, desta vez em parceria com Lenine, entrará na seleção de hoje: Quede água, que está no disco Carbono. “Agora, o clima muda tão depressa que cada ação é tardia, que dá paralisia na cabeça, que é mais do que se previa. Algo que parecia tão distante, periga, agora tá perto...”. Sim, está muito perto. E, se São Paulo ficou escuro daquele jeito que vimos, imagina para quem está lá perto? Estamos todos juntos, entendeu? 

Na playlist tem ainda: Clara Nunes com As Forças da Natureza, Thamires Tannous com Caipora, Marcelo Jeneci com Canto Inicial / Tribo Yawanawa/ Emergencial, Saga da Amazônia com Vital Farias, Marlui Miranda, Milton Nascimento, Caetano e tantos mais. E, para encerrar, Querelas do Brasil, composição de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, que ficou conhecida na voz de Elis Regina pois “o Brazil não conhece o Brasil”. Pena. Ainda há tempo. 

 

Música da semana

Hino dos Malucos

Essa música é uma parceria de Rita Lee com Roberto de Carvalho, Fernanda Young e Alexandre Machado, gravada por Rita Lee em 2003 no disco Balacobaco. Uma pequena homenagem a essa artista e mulher maravilhosa que nos deixou tão cedo. “Nós, os malucos, vamos lutar pra nesse estado continuar” e para o mundo mudar. 

 

Tudo o que sabemos sobre:
músicameio ambiente

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.