Imagem Roberta Martinelli
Colunista
Roberta Martinelli
Som a pino
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Som a pino: 'Respeita'

Escuto, às vezes, amigas perguntando “mas isso não é moda?”. Não. Isso é luta

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 02h00

Teve a Su Tonani, teve a Maria, teve a Juliana, teve a Antonia, teve a Roberta, teve a Ana... todas nós. Todas nós mulheres estamos juntas. Escuto, às vezes, amigas perguntando “mas isso não é moda?”. Não. Isso é luta. E, se for moda lutar, acho das modas mais dignas que já vi e então digo de boca cheia que nunca estive tão dentro da moda e convido você a ser “in” com a gente. Sério! Vamos juntas? Sim! A cantora Ana Cañas chamou e várias mulheres se juntaram. O resultado é um clipe, uma música, um show, vários gritos. 

Recebi um WhatsApp da cantora e compositora Ana Cañas um dia desses me convidando para participar de um clipe, como sou jornalista e provavelmente escreveria sobre o trabalho, fiquei na dúvida se deveria ou não participar e fui até lá no dia da gravação para conversar e decidir lá se participaria ou não. 

Quando cheguei, encontrei a Ana emocionada, alegre, forte, falante, orgulhosa, triste, mexida com tudo e me contando sobre tantas outras mulheres que estavam juntas nesse momento. 

Respeita é a música que ela escreveu a partir de uma história de assédio que aconteceu com ela, aconteceu com a gente. “Ao longo da minha vida, perdi a conta de quantos assédios enfrentei. Aprendi muito cedo a conviver com uma dor insuportável causada por um gesto ou ato de violência que é considerado ‘normal’ e aceito por grande parte da sociedade – incluindo mulheres. Durante anos, permaneci calada. E, por muitas vezes, me senti fraca. Quando quis gritar, senti minha voz trêmula e o corpo teve medo. A alma sangrou inúmeras vezes. Pois nós temos, sim, direito ao respeito, à consciência, à denúncia, à dignidade. Isso é o mínimo, na real. É primeira instância e condição básica da existência. Pois eu não vou fingir mais que isso não me fere, que não me destrói. Eu NÃO vou mais me calar. Por todas nós, mulheres feridas, vítimas. Por todo silêncio, toda a dor. Esse é um momento de resistência”, grita Ana. 

O clipe tem direção de Isadora Brant e João Wainer, e a música tem produção de Rica Amabis e Tejo Damasceno. O lançamento será no sábado, dia 13 de maio, no CCSP, às 19h, e, mais do que um show, será um acontecimento com microfone aberto e muitas de nós no palco. 

No clipe, 86 mulheres fecharam os olhos para a câmera e, pensando em tudo que passaram, abriram e devolveram em um olhar, um grito, um gesto, cada uma do seu jeito, mas todas juntas. Maria da Penha, Dona Divina, Elza Soares, Júlia Lemmertz, Karina Buhr, Maria Rita Kehl, Mariana Lima, Preta Rara, Sinhá, Vera Egito, Eliane Dias, eu e você! Estávamos lá. 

Todas nós. 

Respeita tá?

MÚSICA DA SEMANA 

Sertão Urbano 

Música do primeiro disco da banda Carne Doce, de 2014, ganhou um clipe com imagens da banda, de Goiânia e da Chapada dos Veadeiros. A letra é da cantora Salma Jô e o vídeo está disponível na internet, é só colocar aí na sua tela paralela enquanto lê o jornal e aproveite! 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.