NADJA KOUCHI
NADJA KOUCHI

Som a Pino: ‘Holofotes fortes, purpurinas...’

Fim do ano se aproxima... tá quase aí. Passou tão rápido, foi tão intenso, tão tenso. 

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2017 | 03h00

Acredita que semana que vem já é novembro? (carinha de susto – sim, estamos ficando acostumados a expressar sentimentos com emoticons).

Junto com o fim do ano chegam os prêmios. Vamos definir os destaques do ano. Quais os melhores de 2017? Melhor disco? Melhor show? Artista do ano? Canção do ano? Acho estranho. Como escolher o melhor? Existe apenas um melhor? O melhor existe?

Claro que não! Não mesmo! Mas é uma brincadeira, um jogo que topamos. E é um jogo bem sério, pois a indústria acredita muito no resultado, então que comece a festa! O tabuleiro já está armado.

Hoje é Dia de Prêmio Multishow. Faço parte do superjúri desde a sua criação, em 2012. É uma comissão de especialistas que discutem ao vivo no Canal Bis os destaques do ano. 

Tenho muitas considerações sobre a premiação..., a primeira que você pode estar estranhando é que os concorrentes ao prêmio são: Lucas Lucco, Anitta, Luan Santana, Thiaguinho e outros artistas mais mainstream e muitas pessoas me perguntam “mas você que vota neles?”. Não! Esses estão concorrendo nas categorias gerais e com voto popular.

Enquanto isso, acontece um outro mundo chamado superjúri com dez figuras discutindo os melhores do ano e estes são anunciados no fim do evento com a plateia, muitas vezes, com cara e tweets de “quem são esses?”. 

Uma coisa que me intriga muito desde o começo é a divisão e dos dois lados! Fico incomodada que o mundo independente (e não quero generalizar) ache que os artistas populares são menores, não entendo porque não posso participar da votação de Anitta, Luan e outros mais conhecidos do grande público e incomodada também e muito que o mundo popular desconheça os artistas em que votamos e que estes não tenham nem a oportunidade de estar no palco mostrando seu trabalho.

Em um ano na mesa de discussão, um dos integrantes disse que os artistas independentes tinham medo do pop. Discordei, os artistas independentes (e não todos) não querem as concessões do mundo pop. É possível ter público para encher estádio e fazer a música em que acredita? Para uns sim (talvez) para outros, não. 

E no Prêmio Multishow fica muito claro o abismo entre o mainstream e o “independente”. Por um tempo foi importante separar os dois mundos, pois era época de enfraquecimento das gravadoras e fortalecimento das liberdades artísticas, mas agora, em 2017, é tempo de tentar unir. Como um artista independente chega ao mainstream sem os caminhos da indústria? É possível?

Não sei. Mas fico feliz de ver nos finalistas de melhor disco para o superjúri três artistas tão diferentes e tão atuais: Chico Buarque e o seu Caravanas, Rincon Sapiência e o seu Galanga Livre e Letrux em Noite de Climão. E sabe qual o melhor? O melhor é que eles são incomparáveis e são três grandes discos da música brasileira. Independentemente do vencedor, devemos é celebrar a nossa música todos os dias.

Música da Semana

Tô Feliz (Matei o Presidente) 2

Em 1992, Gabriel, o Pensador lançou a música Matei o Presidente. Era época do impeachment do Collor – “quando eu matei o outro eu era apenas um menino” – e agora, 25 anos depois, ele volta feliz, pois matou outro presidente – “que é isso, eu sou da paz, detesto arma de fogo, deve ter outro jeito de o Brasil virar o jogo”. Então vira! Clipe na internet! 

 

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