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Som a Pino: ‘Faça o que quiser...’

Jards Macalé lança o disco 'Besta Fera', o mais recente trabalho e o primeiro de inéditas em 20 anos, no Sesc Pompeia, nos dias 8 e 9 de junho

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2019 | 02h00

Arte é produto? Ou arte se faz por obrigação? Necessidade? Claro que vendemos arte, mas na hora da criação o artista pensa nisso? Questões. Mil maneiras de pensar e agir. Lembro da Fernanda Montenegro em um vídeo dizendo que quando pedem para ela dar uma dica a um ator que está começando, ela responde: “Desista, saia disso, agora se morrer porque não tá fazendo isso, se adoecer, se ficar em tal desassossego que não tem nem como dormir, aí volte”. Vender então não é importante? Ou se preocupando com a venda não é artista o suficiente?

Vou contar hoje de um dia muito especial que vivi na semana passada, quando Jards Macalé, esse grande artista, esteve no Som a Pino, programa da Rádio Eldorado, para falar sobre o lançamento em vinil do Besta Fera, o mais recente trabalho, o primeiro de inéditas em 20 anos. 

O disco começou em uma imersão em um sítio com Kiko Dinucci (cantor, compositor, com trabalho solo, Metá Metá e tantos outros) e Thomas Harres (baterista e produtor), depois se juntaram a eles tantos outros dessa e de outras gerações. Sendo que essa geração tem gente de tantas gerações como Tim Bernardes, Ava Rocha, Ariane Molina, Romulo Fróes, Juçara Marçal, Guilherme Held, Thiago França.

Toda sexta-feira no programa tem o telefone aberto e o ouvinte pode ligar e participar, sem filtro, sem pré-produção. Uma das ligações que atendemos foi a do Bruno, que gostaria de saber por que não são todas as pessoas que conhecem o Jards Macalé? 

Uma pergunta sem resposta, uma pergunta que, diz o bom-tom, não deve ser feita para a própria pessoa, mas quem disse que o bom-tom é esperado por Jards? E por que essa pergunta é tabu? A resposta para a pergunta do Bruno claro que não existe. Podemos tentar, criar teorias, até discordar. Mas uma canção no disco, a que encerra o trabalho, traz uma pista: “Nem quero que saibam o valor de minhas canções. Se boas ou más, pouco me importam. Elaborei com meu calor” – a música chama Valor e foi encontrada em uma fita cassete de 1981 – no disco atual é essa a gravação, uma voz de 81 cantando uma letra de lá e cá. Quando escutaram, os produtores insistiram para que ela não fosse regravada. E lá está esse registro.

Se é ou não conhecido por todos, pouco me importa. ARTISTA. Fundamental para tantos. Conhecido por quem o admira. Claro que, quanto mais conhecerem, mais admiradores terá. E, por isso, eu chamo para o lançamento do Besta Fera em vinil no Sesc Pompeia, nos dias 8 e 9 de junho. Vamos ver o Professor (como é chamado pelos próximos) no palco, pois é lá também que se luta por educação e cultura.

Disco da Semana

‘Tarântula’ 

Elas foram estudantes da FFLCH, alunas de História, hoje são As Bahias e a Cozinha Mineira. A boa-nova é que na semana passada lançaram o terceiro disco da carreira: Tarântula. O nome vem da Operação Tarântula que começou em 87 com o objetivo de prender travestis e mulheres trans, um projeto de morte, um projeto do Estado brasileiro para dar fim à população trans. Não esquecer e seguir.

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