Caroline Bittencourt
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Som a Pino: ‘Caminhando e cantando...’

Hoje, a coluna é sobre Karina Buhr, a cantora e compositora que lança esta semana seu quarto disco: 'Desmanche'

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2019 | 02h00

Cada dia uma notícia mais bizarra no nosso país. Frases de comédias daquelas mais escrachadas são pronunciadas diariamente pelo presidente do Brasil. Comédia daquelas que hoje em dia ninguém ri, sabe? “Ahhhh, mas é que hoje está muito chato... não pode nem fazer piada.” Me diria o tio do pavê. Não, tio, hoje não pode fazer sua piada preconceituosa, machista, racista. Aliás, já tarde né? Vivendo isso, é possível lançar um disco, fazer uma obra, estar em cena ignorando o contexto? Para alguns sim, claro. Para outros, nunca foi possível. 

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Essa é a introdução. Gostaria de usar o clichê e dizer que essa é a única apresentação possível para ela, mas não seria verdade. Muitas outras seriam possíveis. Assim como as muitas camadas que estão em sua música e em sua já estabelecida carreira de arte e luta, de canção e militância, de palco e protesto, de batuque e berro, de olhos pintados e lágrimas. Hoje, a coluna é sobre Karina Buhr. Cantora e compositora que lança esta semana seu quarto disco: Desmanche, com produção dela e do Regis Damasceno.

Você conhece a Karina Buhr? Karina nunca deixou passar um comentário machista, mesmo que para isso perdesse uma matéria no jornal ou um bom cachê. “Mas pagando bem que mal tem?” Tem mal demais. E Karina cancelou shows pois eram financiados por empresas que praticavam coisas pelas quais ela lutava contra.

Karina escreveu, peitou, falou, explicou, foi didática quando preciso, berrou, berrou mais alto, foi para rua, fez shows e mais shows e tudo isso está presente na artista que ela é e na obra que ela cria. Aí vem o Desmanche, o disco ou o que estamos vivendo no Brasil? Entende? O álbum sai no dia 26 de julho. 

O trabalho já começa com uma música que foi feita um ano atrás, Sangue Frio, e estava guardada até que um carro com uma família foi baleado por 80 tiros no Rio. 80 tiros e tiveram a coragem de falar que o Exército não matou ninguém. Nesse momento, ela pegou a música feita antes e que cabia, infelizmente mais uma vez, naquele momento. Foi a primeira música lançada e é a faixa que abre o disco: “O tempo tá matador. Precisando exercitar paz e amor. O exército tá matador. Você tá bem?”. Quem está? Você está? 

Em outra canção do disco, Temperos Destruidores, a perversidade dos homens está mais uma vez presente: “Bombas incessantes sobre as cidades, mais intensidade no matar”. Você continua bem? 

A mesma destruição corre solta no nosso filme de terror. “Vendo o pulso do correr da vida, vendo o que não via, vende-se ânimo, valentia, coragem.” Eu não tô bem. Eu compro. Onde encontrar? No berro coletivo, na música cantada junto, em um disco de uma artista em que você acredita. 

LANÇAMENTO

Guaia

Finalmente chegou! Seis anos se passaram desde o último lançamento do Marcelo Jeneci e agora chegou um disco que foi muito esperado e que leva o nome de Guaia. Marcelo lançou ontem em todas as plataformas seu terceiro disco produzido por Pedro Bernardes, com coprodução dele e Lux Ferreira. Já ouviu?

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