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Som a pino
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Som a Pino: ‘Baby, nada há de ser em vão’

A música 'Flutua', de Johnny Hooker, lançada no disco 'Coração' de 2017 virou um hino na voz dele e da Liniker e diz muito sobre o que passamos agora no Brasil

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2019 | 02h00

“Ninguém vai poder querer nos dizer como amar.” Esta frase está na música de Johnny Hooker, lançada no disco Coração de 2017 e que virou um hino na voz dele e da Liniker e diz muito sobre o que passamos agora no Brasil. Agora? Acho que não. O STF aprovou a criminalização da homofobia em junho de 2019. Isso, este mês em que estamos neste momento. 

Mas sério que até agora não era crime? Com tantos casos de violência no Brasil? Como assim? É crime, sim. E sempre foi. 

Domingo foi dia da 23.ª Parada do Orgulho LGBTQ+ “50 anos de Stonewall”, hoje tem o lançamento de mais uma música do novo projeto de estúdio do Emicida, AmarElo, com participação de Pabllo Vittar e Majur. Liniker e os Caramelows lançaram clipe de Intimidade com participação de Linn da Quebrada. As Bahias e a Cozinha Mineira lançaram o disco Tarântula.

Pabllo Vittar fez show na ONU, representando o Brasil. Arte e diversidade de mãos dadas sempre. 

 *

AMARELO 

Hoje sai a nova música do Emicida, que começa logo de cara com um sample da música Sujeito de Sorte, de Belchior, canção composta por ele e gravado no disco Alucinação, de 1976. “Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro”, no começo da canção você pode pensar que deu o play errado, mas Emicida logo entra “pra que amanhã não seja só um ontem com um novo nome” com as rimas mais afiadas do que nunca ou será que é o mundo que também afiou ou desafiou mais?

Belchior volta então, na voz de Majur, artista baiana de 23 anos, com um EP lançado, Colorir, circulou e muito por Salvador e foi apadrinhada por Caetano Veloso e Paula Lavigne. Ainda devo escrever sobre ela aqui na coluna.

Na música, a Pabllo Vittar vem chegando ao fundo, abrindo a voz, até que sola “Permita que eu fale e não as minhas cicatrizes”: essas cicatrizes são músicas, livros, filmes, peças, mas ainda tem tanto a falar, tanto a ouvir. “Achar que essas mazelas me definem é o pior dos crimes, é dar troféu pra nosso algoz e fazer nós sumir.” 

Quando a Liniker começou a bombar e só se falava nela, lembro que muitos criticavam o momento atual da música, dizendo que era só (como se isso fosse só) uma bandeira e que logo tudo isso passaria. Aí, vieram mais e mais artistas. Quanto à bandeira, eu espero que gritar pelo óbvio não seja necessário para sempre (espero muito), mas essas artistas não passarão. Elas vieram para ficar e marcarão nossa música. “Não era um hit, era um pedido de socorro.” 

Era um pedido de socorro e será para sempre história da música brasileira. 

MÚSICA DA SEMANA

Lançamento

A cantora e compositora paulista Tássia Reis lançou o disco Próspera, que está disponível em todas as plataformas de música. Seu terceiro álbum de estúdio tem 16 faixas produzidas pela rapper, DJ Thai, Eduardo Brechó, Willsbife, Nelson D e Jhow Produz. Confesso que não consegui escolher uma para música da semana. E você? Tem uma preferida?

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