Valeria Gonçalves/Estadão – 25/11/2000
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Roberta Martinelli
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Som a Pino: ‘Ai se sêsse...’

Lembrei esses dias da banda Cordel do Fogo Encantado. Você fez parte desse ritual?

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2018 | 02h00

Músicas marcam momentos em nossas vidas. Eu não posso ouvir De Volta pro Meu Aconchego sem pensar numa peça que eu fazia lá na Vila Maria Zélia. Mas isso, nós já sabemos, estava pensando como bandas marcam momentos também e o impacto que sofremos quando um espetáculo acontece na nossa frente.

Lembrei esses dias da banda Cordel do Fogo Encantado e da loucura/intensidade/dor/grito/amor que senti quando vi um show deles pela primeira vez ao vivo. Me deu saudades do Cordel. E você? Fez parte desse ritual? 

O Cordel do Fogo Encantado foi (e sempre será) uma banda que começou em 1997 em Arcoverde, sertão de Pernambuco, uma banda que era um grupo de teatro que era um sarau de poesia que era uma coreografia que era uma escultura que era uma performance. Era tudo junto. Era uma celebração artística. Completa.

 

A HISTÓRIA

Essa celebração se apresentou em 1999, no Festival Rec-Beat (saca só a importância de um festival de música para a construção de uma cena) – e, então, depois do festival, a banda fechou a formação em José Paes de Lira (ele mesmo, o Lirinha), Clayton Barros, Emerson Calado, Nego Henrique e Rafael Almeida.

E daí pra frente foi show atrás de show, catarse atrás de catarse. Em 2001, a banda lançou o primeiro disco que levou o nome da banda, com produção de ninguém menos que Naná Vasconcelos (que saudades).

Em 2003, veio o segundo álbum, O Palhaço do Circo sem Futuro, uma coprodução da banda com Buguinha Dub e Ricardo Bolognine e, em 2006, veio o Transfiguração, com produção de Carlos Eduardo Miranda e Gustavo Lenza. 

No começo do texto da coluna, falei sobre bandas que marcam a vida e o Cordel marcou a vida de muita gente – ir a um show da banda era um ritual (sinceramente, não sei contar em quantos estive – foram muitos) e sempre me impressionava com eles e pensava: “se for para ser artista, tem que ser assim: muito entregue”. 

Em 2010, a banda anunciou o fim. Acontece. Muito. Então, Lirinha lançou dois discos solo: Lira e O Labirinto e o Desmantelo. Clayton Barros lançou A Idade dos Metais com a banda Os Sertões. Emerson trabalhou em vários projetos como a banda Nume. Nego Henrique participou de projetos sociais e trabalhou com a cantora e produtora cultural Karynna Spinelli. Rafael tocou com Vitor Araújo, entre outras participações por aí.

O mundo mudou muito, o público que acompanhava a banda envelheceu ou amadureceu, Naná infelizmente nos deixou e, às vezes, bate uma saudade de um Cordel do Fogo Encantado em 2018, um Cordel que eu nunca conheci. 

MÚSICA DA SEMANA

Duas Cidades

Acabou nosso carnaval...São Paulo foi ocupada por blocos, trios, discursos, fantasias, adesivos, cartazes. Foi muito especial. Bela ocupação, com destaque para estreia do Navio Pirata, da banda Baiana System, na 23 de Maio. No microfone, eles disseram: “2018 vai ser ano de luta” e, sim, nós estamos todos prontos. Vamos juntos! 

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