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Sociedade de Cultura Artística surgiu contra a 'estagnação da arte'

A notícia da criação da Sociedade de Cultura Artística foi publicada no 'Estado' em 15 de fevereiro de 1912

Carlos Eduardo Entini - O Estado de S.Paulo,

27 de setembro de 2012 | 10h43

A ideia de criar uma sociedade para divulgar a literatura e arte de brasileiros foi lançada pelo jornalista Arnaldo Simões Pinto em conversa na casa do poeta santista Vicente de Carvalho. A notícia da criação da Sociedade de Cultura Artística foi publicada no Estado em 15 de fevereiro de 1912. Uma das missões da nova instituição cultural paulistana era tirar o descompasso entre o progresso material em que vivia a cidade de São Paulo e a cultura, estagnada. Em 1915, Nestor Pestana, um dos fundadores, afirmou que ela nasceu do “rebaixamento moral da nossa intelectualidade nas gerações novas, para dar-lhe um ideal nobre de vida, tirando-a da materialidade grosseira em que se afundou”.

O modelo de propagação da cultura seriam as conferências, porque “hoje gosta-se cada vez mais de ouvir do que ler”, relatava o jornal. E, para “facilitar o sucesso”, elas seriam acompanhadas de concertos.

Para participar dos concertos, conferências sobre arte e literatura brasileira, o associado pagava a mensalidade de 3 mil réis, o equivalente a 30 exemplares do Estado de hoje, ou R$ 90. A estreia da Cultura Artística não decepcionou aqueles que esperavam a valorização da cultura brasileira. Depois do discurso de inauguração feito por um dos diretores da sociedade, Roberto Moreira, apresentou-se o folclorista Amadeu Amaral, autor de Dialeto Caipira (1920). A primeira conferência foi sobre o poeta parnasiano Raimundo Correa (1859-1911). Em seguida, foi recitado o poema Os Ciganos, do mesmo autor.

Obedecendo o modelo proposto, a primeira noite do Cultura Artística seguiu com apresentação das alunas do Conservatório Dramático e Musical, onde foi realizado o evento, sob regência do maestro João Gomes de Araújo. No piano, revezaram-se Nair Medeiros, Esther Pacheco e Maria Eugenia Cunto. Os aplausos recebidos “tinham o calor de uma convicção mais do que simples palmas de cortesia”, relatou o jornal. A parte musical e a festa terminaram com o coral cantando Buona Notte.

Originalmente, a sede da sociedade seria inaugurada em 7 de setembro de 1922, no terreno comprado na rua Florisbella. Mas, por dificuldades financeiras, só foi inaugurada na década de 1950, no mesmo local, atual rua Nestor Pestana. Após o incêndio de 2008 que destruiu totalmente as instalações do teatro, menos a fachada com obra de Di Cavalcanti, cogitou-se mudança de endereço. Mas ele está sendo reconstruído no mesmo local.

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