Sociedade Brasileira de Música Contemporânea tem novo presidente

O compositor mineiro Harry Crowl é o novo presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea. Ele foi escolhido em assembléia geralextraordinária da associação realizada no fim de fevereiro noMemorial da América Latina, na qual também foram decididos osoutros nomes que compõem a nova direção: os compositoresGuilherme Bauer e Rodolfo Coelho Souza assumem, respectivamente,a vice-presidência e a tesouraria e o jornalista Irineu FrancoPerpétuo passa a ocupar o cargo de secretário.Em entrevista, após um mês no qual teve tempo de sefamiliarizar com os problemas da Sociedade, Harry Crowl afirmaque a principal meta é levar a cabo o objetivo de difundir noterritório brasileiro a música contemporânea, tanto a brasileiraquanto a internacional, o que nunca pôde ser feito completamentepor causa das "dimensões continentais do País e à conhecidafalta de apoio oficial ou privado".E isso, segundo ele, pode ser feito "por meio darealização de concursos de composição e interpretação, dagravação de CDs, promoção de festivais e edição de partituras"."A Sociedade também deve lutar pelo espaço dos compositoresassociados no repertório de orquestras, conjuntos instrumentaise solistas."Para isso, no entanto, é preciso dinheiro. "No momento,a Sociedade conta com recursos apenas das anuidades pagas pelosassociados. No entanto, o orçamento varia um pouco, pois háinadimplência." A gestão anterior, do compositor Amaral Vieira,porém, realizou a regularização jurídica definitiva daSociedade. "Com isso, poderemos buscar patrocínios por meio dequalquer lei de incentivo fiscal." Entre os primeiros projetosde Crowl, dentro desse contexto, estão o lançamento, nospróximos meses, de dois concursos de composição e"possivelmente de um primeiro festival de música contemporâneada SBMC".É bastante comum falar nas dificuldades encontradasatualmente por compositores brasileiros, que não conseguem, emgrande parte, editar suas obras ou incluí-las nos repertórios deorquestras e intérpretes. Crowl coloca a questão dentro de umcontexto mais amplo, que envolve desde a educação musical até odescaso de intérpretes. "Aqueles que se decidem por dedicar-seexclusivamente à composição enquanto pura expressão artísticasofrem as limitações impostas por uma sociedade absolutamentemercantilista", diz.E continua, sobre a divulgação das obras: "Se por umlado, há falta de obras editadas e de materiais adequados para aexecução, por outro - e acredito que este seja o principalmotivo que explique o entrave na hora de divulgar as obras -, éo desconhecimento por parte da maioria dos músicos do repertóriodo século 20, tanto brasileiro quanto estrangeiro, já que estenão faz parte da educação musical no Brasil."Para Crowl, a maioria dos estudantes brasileiros vive emuma redoma acreditando que vão ser reconhecidos se executaremobras barroco-clássico-românticas européias, mentalidade"amplamente propagada nas nossas escolas de música porprofessores mal preparados e totalmente desinformados".Ainda assim, Crowl tem esperanças e se baseia emtrabalhos como o da Sinfonia Cultura, que tem incluído em suaprogramação grande número de autores brasileiros, contemporâneosou não - o que outras orquestras também têm feito, embora"timidamente". "É preciso que os compositores se organizem efaçam mais pressão. A desculpa dos intérpretes é sempre opúblico. Porém, sempre constatei o contrário: o preconceitocontra as novas linguagens musicais é mais de quem toca do quede quem ouve."História - A trajetória da Sociedade Brasileira deMúsica Contemporânea é antiga e confusa. "Várias tentativasforam feitas em lugares diferentes do Brasil", explica Crowl. Opontapé inicial teria sido dado em setembro de 1947, no Rio, porVilla-Lobos, Eurico Nogueira França, Guerra Peixe e Koellreutter, entre outros.Também no Rio, na década de 70, houve uma tentativa deretomada, com a participação de Guilherme Bauer e Marlos Nobre,entre outros. A idéia era aproximar a música que se fazia noBrasil com a Europa e os EUA, mas a sociedade não conseguiu seestabelecer de modo definitivo. Na década de 80, em São Paulo,Rodolfo Coelho de Souza e Luís Milanesi registraram a SBMC e afiliaram à ISCM (International Society of Contemporary Music). ASBMC que existe hoje descende dessa instituição.Segundo Crowl, há ainda informações sobre a fundação deuma entidade com mesmo nome, em Porto Alegre, no Instituto deArtes da UFRGS, por Armando Albuquerque, na década de 80.

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