Robyn Beck / AFP
Robyn Beck / AFP

Sob comoção por Kobe Bryant, Grammy abre mais espaço para shows e consagra Billie Eilish

Premiação conduzida por Alicia Keys teve números para lembrar do jogador de basquete morto em acidente de helicóptero e premiou Billie Eilish por categorias importantes como melhor música, com 'Bad Guy', artista revelação, álbum e gravação do ano

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 01h44

Alicia Keys veio ao palco no início da noite de ontem (26) para começar a apresentar a cerimônia do 62° Grammy Awards no Staples Center, em Los Angeles, com a voz grave, chorosa, entremeada por pausas logo depois de a cantora Lizzo marcar território cantando Truth Hurts. Alicia falou em nome de um sentimento que circundava o ginásio em que estavam todos desde o começo da tarde de ontem, com centenas de fãs do jogador de basquete Kobe Bryant chorando sua morte assim que foi divulgada a notícia da queda do helicóptero em que ele estava, também em Los Angeles. Seu discurso foi emocionante: “Los Angeles, América, perdemos um herói. Estou com o meu coração partido na casa que Kobe Bryant construiu. Agora, Kobe, sua filha e todos os que se foram estão em nossas preces. Quero pedir que pensem neles por um momento e compartilhem suas forças com essas famílias. Nunca imaginamos começar o programa assim”, disse, e cantou à capela em homenagem ao jogador.

Ao seguir a premiação, com mais shows do que em edições anteriores, o primeiro grande prêmio, o de música do ano, apresentado por Smokey Robinson cantando sua My Girl, foi para Billie Eilish por Bad Guy. Ela provou força ao vencer Lady Gaga (Always Remember Us This Way), Tanya Tucker (Bring My Flowers Now), H.E.R. (Hard Place), Taylor Swift (Lover), Lana Del Rey (Norman Fucking Rockwell), Lewis Capaldi (Someone You Loved) e Lizzo (Truth Hurts). Mais tarde, levaria também por artista revelação e, alguns prêmios depois, a consagração com álbum do ano e gravação do ano. A noite, como previsto, era sua. 

Billie, de cabelos tingidos, havia surgido no tapete vermelho como uma favorita, com seis indicações. Com apenas 18 anos, já havia garantido sua primeira estatueta antes mesmo do início das transmissões, reconhecida na categoria de Melhor Álbum Pop Vocal por When We All Fall Asleep, Where Do We Go?. Beyoncé também venceu um prêmio antecipado, o de Melhor Filme Musical com Homecoming, dirigido por ela mesma e por Ed Burke e produzido por Steve Pamon e Erinn Williams. Lady Gaga ganhou por Melhor Canção Escrita Para Mídia Visual com I'll Never Love Again, que foi interpretada ao lado de Bradley Cooper. A música também foi composta por Natalie Hemby, Hillary Lindsey e Aaron Raitiere. Gaga bateu Beyoncé, que concorria com Spirit.

Curiosa a vitória de Michelle Obama na categoria Melhor Álbum de Palavras Faladas (incluindo poesia, audiobook e storytelling) por seu audiobook Becoming, que, no Brasil, teve a narração interpretada pela jornalista Maju Coutinho. Lil Nas X e Billy Ray Cyrus foram os ganhadores de Melhor Vídeo Musical com o clipe de Old Town Road.

A primeira premiação com transmissão mundial foi para Lizzo, que ganhou por principal performance pop solo, vencendo Beyoncé, Billie Eilish, Ariana Grande e Taylor Swift. Lizzo fez um discurso emocionado depois de abrir a premiação com um show potente. Ao lado de Eilish, a noite dava dicas de que iria consagrá-la.

Antes disso, a categoria de melhor performance country, a mais culturalmente norte-americana de todas, foi para a dupla Dan + Shay pela canção Speechless. Usher veio ao palco para enfileirar músicas de Prince em um bem anunciado tributo ao artista, morto em 2016. Cantou Little Red Corvette, emendou com When Doves Cry e elevou a temperatura ao lado de uma dançarina e indo aos agudos para um impecável cover de Kiss. Foi tudo rápido, Prince merecia mais, mas Usher segurou o desafio de pincelar a obra de um dos maiores artistas da música pop.

A cantora cubana Camila Cabello, que abriu o Grammy de 2019, voltou ao palco para fazer uma homenagem ao pai que, comovido, a abraçou ao final da apresentação. A direção, ficava claro com o passar da premiação, reforçava o caráter de celebração musical, aumentando o número de apresentações com relação a outras edições. O rap vinha com bem menos espaço do que em anos anteriores depois de uma conturbada edição de 2019, com artistas premiados, como Childish Gambino, não comparecendo ao evento para buscar suas premiações. Uma esnobada que pode ter cobrado o preço da indiferença.

Billie Eilish, de outra frente e com um show marcado para o Brasil no final de maio, fez sua estreia em um palco do Grammy. Depois de ganhar seu primeiro gramofone, Billie, de longas unhas verdes rajadas, cantou a triste When the Party’s Over, um de seus grandes hits, com um vídeos com quase 500 milhões de acessos. Acompanhada apenas ao piano, sua voz estava sentida, emocionada, e tocou a plateia do Staples Center, que lhe devolveu uma longa ovação.

Sua apresentação terminou e logo depois veio a dos veteranos do Aerosmith, que já haviam sido homenageados com shows nas prévias da celebração. O ponto alto foi com Walk This Way, que cantaram com o Run DMC em um reencontro histórico, muito esperado.

Polêmicas. Eleita em 2019 como a primeira mulher presidente da Recording Academy, instituição responsável pelo Grammy, Deborah Dugan foi demitida do cargo cinco meses após ter assumido, sob alegações de má conduta. A ex-dirigente está processando a organização sob alegações de assédio sexual e irregularidades nas votações e nas finanças do grupo. / COLABORARAM GABRIELA MARÇAL E JÚLIA CORRÊA

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