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Só se pagar antes

Artistas do Recife ameaçam boicotar o carnaval se o poder público não acertar seus cachês antecipadamente

Paula Carvalho, Especial para o Estado,

12 de janeiro de 2013 | 07h00

Músicos pernambucanos declararam nesta semana pelas redes sociais que não tocarão no carnaval do Recife em 2013. Eles reclamam do descumprimento de prazos para pagamento de cachês pela prefeitura e governo do Estado de Pernambuco. Alessandra Leão, compositora, escreveu um texto em seu blog no último domingo, explicando os motivos pelos quais ela e seu parceiro Rodrigo Caçapa não se apresentarão: "Cansamos de critérios de seleção confusos e obscuros. Cansamos de aceitar e esperar que na próxima vez fosse diferente". No dia seguinte, o compositor China engrossou o coro com o texto Não vou tocar no carnaval de PE este ano. Ele conta que já passou até 11 meses sem receber por um show que tinha feito.

Os primeiros a declarar que não participariam no carnaval recifense em 2013 foram os músicos da Nação Zumbi, pelo Twitter, em maio do ano passado. A banda atualmente está em recesso, mas o baterista Pupillo Oliveira garante que, se estivessem na ativa, só tocariam caso recebessem todo o cachê antes do espetáculo, como é regular em outros shows que fazem.

As críticas são dirigidas a eventos do governo estadual e da prefeitura do Recife. No caso do carnaval, a administração da festa no Recife e em Olinda é feita pela prefeitura e orçada em cerca de R$ 30 milhões. O Estado, além de promover o carnaval no interior, realiza ainda 12 festas pelas zonas de Pernambuco ao longo do ano, inclusive o Festival de Inverno de Garanhuns, que também é criticado pela inadimplência - o cachê que Alessandra e Caçapa deveriam receber em julho, diz ela, só foi entregue em novembro.

Severino Pessoa, presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, afirmou que os governos estadual e municipal se reuniram na quarta e garantiram que os pagamentos do carnaval deste ano serão quitados até o fim de fevereiro. Para ele, os atrasos são causados pelas produtoras. "Muitas vezes o artista não recebe a informação da sua produtora, seus representantes devem documentos que eles nem sabem e isso dificulta o processo de pagamento, que é burocratizado por se tratar de dinheiro público."

O músico Fábio Trummer, vocalista da banda Eddie, diz ter sido um dos primeiros a cobrar em shows os atrasos, há três anos. "A gente acredita que tem direito a essa verba, porque movimentamos uma certa economia cultural, geramos empregos, pagamos estúdios. Mas estamos exigindo um conserto dessa máquina que há muito tempo vem falhando, nos desrespeitando." Neste ano, a banda ainda não sabe se tocará: diz não aceitar as condições dos outros anos, mas acredita que pode haver uma mudança por conta da nova gestão, assumida pelo prefeito Geraldo Júlio (PSB), no início do ano.

O carnaval do Recife, um dos mais conhecidos do País, se destaca pelo bordão multicultural, de que dá espaço a artistas locais, à produção musical do interior (como as nações de maracatus, coco, ciranda, frevo, afoxé, caboclinho), e a músicos com carreira consolidada nacionalmente. A cidade ganha diversos polos de shows, com programação de qualidade na periferia e nos grandes palcos no centro, além de desfiles de grupos de música popular pelas ruas.

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