ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

'Só canto o que sinto e gosto de fazer', afirma Anitta

Em Miami, cantora comenta a reação de artistas mulheres ao machismo na sociedade

Alicia Civita, EFE

06 Março 2018 | 19h43

MIAMI — Em tempos de debates cada vez mais abertos sobre empoderamento feminino, promovidos entre outros pelo movimento #MeToo, a cantora Anitta defendeu que canta o que lhe dá prazer.

"Eu só canto o que sinto e gosto de fazer. Se me sinto romântica, expresso, se me sinto sexy, também. A minha meta com a música é fazer com que nos respeitem como quisermos ser. Sensuais ou não, beijando um ou beijando seis", declarou a artista em entrevista à Agência Efe.

Para ela, que na música Downtown, com J.Balvin, insinua o prazer no sexo oral feminino, a forma como artistas mulheres estão respondendo ao machismo nas letras é demonstrando que elas também podem e não permitindo se vitimizar.

O parceiro dela no hit, que tem quase 170 milhões de visualizações no Youtube, defendeu que o público feminino é o responsável pela mudança nas letras.

"As únicas responsáveis pela mudança são as elas próprias. Não podemos deixar para os homens o empoderamento das mulheres. Depende delas demonstrarem de que são feitas", disse o colombiano.

O debate sobre letras hiper machistas na música não é novo. Nos Estados Unidos, esse tipo de conteúdo fez com que o Congresso legislasse sobre a necessidade de acrescentar etiquetas com alertas sobre o conteúdo das canções aos CDs para que mães e pais ficassem atentos.

Os artistas do reggaeton reduziram a temática extremamente sexual e agressiva das músicas para se tornarem mais atraentes a todo tipo de público e a estratégia funcionou. Hoje, é um dos gêneros mais bem-sucedidos e com fãs pelo mundo.

Mas nem todos pensam assim. O cantor venezuelano Miguel Ignacio Mendoza, mais conhecido como Nacho, argumentou que não são necessariamente só os homens que escutam as canções mais explícitas.

"Se você for ver vídeos no Instagram e no Snapchat, as que mais cantam e fazem covers e coreografias dessas letras mais explícitas são as mulheres, em particular as mais jovens. Se querem que deixem de ser feitas canções mais agressivas com as mulheres, talvez as mães dessas meninas devessem ter conversas com elas e reforçar lições sobre valores", destacou.

A opinião é a mesma que a de Bad Bunny, um dos principais expoentes do gênero. Recentemente, em entrevista a um programa de rádio em Miami, nos Estados Unidos, ele repetiu o que cantores como Nicky Jam e Daddy Yankee disseram no passado sobre o assunto.

"Eu não estou aqui para educar as crianças. Isso é responsabilidade dos pais", ressaltou.

Mais conteúdo sobre:
Anitta

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.