"Snow White" mostra geração perdida de Zurique

Quase na metade do seu percurso, surge,no Festival de Locarno, um segundo filme digno de um Leopardo deOuro. Trata-se de Snow White (Branca de Neve), co-produçãosuíço-austríaca, dirigida pelo conhecido cineasta de Zurique,Samir. Vindo de Bagdá para a Suíça aos sete anos, ele se dedicouao cinema e criou uma empresa de produção fornecedora de filmespara a televisão suíça. Curado do esquerdismo do passado, parapoder sobreviver, Samir ainda conserva nos seus filmes umaanálise social da juventude. Assim acontece com Snow White,retratando uma filha da alta sociedade de Zurique, "a cidadepodre de rica", segundo Paco, o cantor de rap. Não é preciso recorrer a Jean Ziegler, o inimigo númeroum do segredo bancário, para saber que a Suíça desfruta de umasurpreendente riqueza. O comércio livre da droga da Platzspitz,dos anos 80, se deslocou para as festas e discotecas dos filhosda elite. Essa a sociedade mostrada pelo filme de Samir, ondeBranca de Neve encontra o rapper Paco, filho de imigrantesespanhóis em Genebra, orgulhoso de sua moral esquerdistaanti-drogas e anti-detentores de riquezas de origem duvidosa."Eu quis criar um filme para os espectadores refletirem. Prefiroo cinema de contradições. São nossas vidas que criam ashistórias de filmes. Os filmes são os contos modernos e meuobjetivo é o de comprimir muitas histórias de vidas numahistória para fazer refletir nossa sociedade", diz Samir. Samir é cauteloso ao responder se o filme tem algumarelação com a praça financeira enriquecida com o dinheiroroubado do terceiro mundo, mas reconhece que suas preocupaçõesesquerdistas da juventude nele se manifestam, mesmo se oobjetivo principal do filme foi o de contar uma história.

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