Snoop Dogg inicia turnê pelo País, a 1ª longe dos EUA

Os gângsteres não são mais os mesmos. Fazem cara de mau mas dizem estar dispostos a ajudar crianças carentes. Se preocupam com a miséria do mundo sem abrir mão das bebidas importadas. Falam da dureza que é viver em um gueto sujo de periferia mas cantam em casas de shows que cobram até R$ 120. O gangsta rap dos anos 90, veia do rap que glorificava a violência praticada pelas gangues, está virando um playboy arrumadinho, politizado e estrela de show biz. Snoop Doggy Dogg já foi um gângster. Mas nada mais a seu redor lembra os tempos difíceis de miséria que conheceu antes que chegassem os anos 90, ou os dias de sufoco em que batia cartões pelos tribunais. Na manhã de hoje, desembarcou em São Paulo de seu milionário avião Gulf Stream, um dos mais caros do mundo. Prepara-se agora para a apresentação que fará às 21h30, no Credicard Hall.Dogg faz no rap o mesmo barulho que Madonna provoca no pop. Sua presença no Brasil se dá graças à empresa Host, que realiza o festival Skol Hip Hop Manifesta, programado apenas para o Rio de Janeiro, no dia 9, e Florianópolis, dia 10. O show aqui foi só para dar um gostinho aos paulistanos. Marcus Buaiz, diretor e sócio da Host, fala da proeza que foi trazer Dogg. "Houve muitas pessoas sem credibilidade que tentaram trazê-lo. Sofremos com isso e só conseguimos confirmar sua vinda há um mês. Ele não vem pelo dinheiro, mas pelo projeto, que irá valorizar o hip hop como um todo e está ligado a ações sociais."O dinheiro pode não ser condição indispensável mas ajuda. Os faturamentos levantados com o rap nos Estados Unidos não foram nada fracos em 2003. A banda U2 ficou em primeiro lugar, com US$ 65 milhões. Dr. Dre, o Don King do rap que lançou Dogg, veio em segundo, com US$ 58 milhões. A Host se empolgou e, por sua vez, pensou em fazer o que acredita ser o maior evento do gênero na América Latina. O montante investido foi de R$ 4,2 milhões. "Queremos manter o Manifesta de dois em dois anos", adianta Buaiz. São Paulo não entrou no circuito porque, consideraram seus realizadores, muitas pessoas saem da cidade nas férias. Será a primeira vez que o californiano Snoop Dogg sairá dos Estados Unidos. Mas seu estouro na indústria fonográfica de lá lhe garante condição de mega star. Lista de pedidos: suíte presidencial, cerveja mexicana, garrafas de cristal, conhaque Hennessy. É, os gângsteres não são mais os mesmos.Snoop Dogg - Hoje, às 21h30. Credicard Hall: Avenida das Nações Unidas, 17.955 (tel.:6846-6010). Ingressos: de R$ 40 a R$ 120. Estacionamento: R$ 15

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2004 | 11h22

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.