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Slipknot examina em novo álbum a sensação de perda

Grupo sofreu com a morte e a saída de membros e agora '.5: The Gray Chapter' tem pegada conceitual

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2014 | 03h00

Um dos mais feios e virulentos combos do heavy metal, o Slipknot, grupo saído das profundezas de Iowa, está lançando um disco que se pode chamar temerariamente de “introspectivo”. Seu novo álbum, batizado de .5: The Gray Chapter (lançamento Roadrunner Records/Warner Music Brasil), tem um pique conceitual e, em suas 14 faixas, passa do pungente (a canção Goodbye) ao sarcástico (Killpop), mas sempre com uma pegada de autorevisão.

“Todo o disco diz respeito ao Paul”, contou ao Estado por telefone, há algumas semanas, o percussionista Chris Fehn. Paul Gray, cujo apelido era The Pig, foi o baixista e percussionista do grupo que, em maio de 2010, foi encontrado morto por overdose no quarto 431 do Towne Place Suites Hotel, em Johnston, Iowa. A experiência, diz Fehn, precipitou uma atitude de autocrítica dentro do grupo, e o novo disco é uma consequência disso.

É irônico, porque antes de Fehn conceder entrevista, um assessor da sua gravadora alertou para que não se fizessem perguntas sobre “Paul e Joey”. Joey Jordison foi demitido da banda, em 2013, após 18 anos com o grupo, e boatos dão conta de que ele foi expelido por estar abusando das drogas, o que não é confirmado pelo resto do time.

Todo o auê em torno do Slipknot poderá ser escarafunchado mais de perto no ano que vem, quando o grupo deve aterrissar por aqui mais uma vez (não está confirmado, mas Fehn acha que é impossível não passar pelo País, onde têm inúmeros fãs desde o lançamento de Mate, Feed, Kill, Repeat, em 1996). No ano passado, eles foram atração principal do festival Monsters of Rock, no Anhembi, numa jornada de qualidade sonora não muito boa.

No novo disco, o verso “I’m not your devil anymore” (Não sou mais seu demônio”) causou especulações sobre uma nova necessidade de a banda fazer um tipo de exorcismo, não mais servir como para-raios de fãs aloprados que usam suas músicas como desculpa para atos de vandalismo. “Olha, qualquer verso que a gente escreva pode significar o que a pessoa quiser. Para mim, essa canção trata mais de um relacionamento com a namorada, mas também pode se aplicar à libertação de um trabalho opressivo. Tem abertura para ser uma grande variedade de coisas. O ouvinte é que descobre o seu significado”, desconversou Fehn.

Apesar de ser dedicado a Paul Gray, o novo álbum não é didático em sua proposta estética, não explora temas conexos. “Nós nunca temos uma direção quando gravamos, achamos isso limitador. Se a gente gosta, a gente grava. Nunca fazemos por uma razão específica, o nosso gosto é que manda”, diz o percussionista (também conhecido como #3 e Devil Pinocchio, entre outros nomes de palco).

Antes de entrar no Slipknot, Chris Fehn jogou futebol americano na Wayne State University. Ele entrou no grupo apenas em 1998, mas já é um dos veteranos da banda. “Eu faço turnês com eles há 15 anos. A coisa mais dura de ficar na estrada durante tanto tempo é a saudade da família. Estamos mais velhos, todos temos família agora, filhos e mulheres. Os garotos amam as máscaras, não têm medo delas. É divertido, porque a gente os vê na plateia apontando com orgulho: ‘Aquele é o meu pai!’. E também tem as vantagens para eles, que viajam muito, apreciam muitas coisas pelo mundo afora.”

Para Chris Fehn, a variedade de sons e associações que têm causado seu novo disco tem explicação: “Continuamos a evoluir. É um álbum em que todas as músicas são diferentes entre si, um mix entre nossos discos anteriores. Tem muito baixo, muitas batidas, muita novidade”.

A crítica, em geral, concordou. “O álbum mais multidimensional do Slipknot nesses 20 anos de carreira”, publicou a revista Rolling Stone. De acordo com a Alternative Press, “as 14 músicas assinalam o grande retorno do heavy metal, mais emocional do que nunca e com o melhor equilíbrio entre o lado melódico e demoníaco do Slipknot”. Na Billboard: “Uma odisseia metaleira”. No Guardian: “Explosivo e afiado”.

Mas, apesar da onda reflexiva, o ambiente conturbado deve prosseguir por um tempo no Slipknot. Esta semana, um técnico de bateria demitido pelo grupo, Norm Costa, vazou um documento no Instagram revelando que Jay Weinberg e Alessandro “Vman” Venturella seriam os novos integrantes do Slipknot. Mas o fato é que esse não é exatamente um segredo de Estado, todo mundo sempre sabe quem está por trás das máscaras mais feias do rock: Corey Taylor (vocais), M. Shawn “Clown” Crahan (percussão e bateria), Jim Root (guitarra), Mick Thomson (baixo), Chris Fehn (percussão), Sid Wilson (DJ e teclados) e Craig Jones (sintetizadores, teclados).

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