Skol Beats bate recorde de público

Mais aeróbico tour de force da música eletrônica na América Latina, terminou na manhã de ontem o 4.º Skol Beats, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo, ao som climático do duo francês The Youngsters e as batidas musculares do brasileiro Anderson Noise. Cerca de 44 mil pessoas, segundo os organizadores, estiveram no local da tarde de sábado à manhã de domingo.Apesar da melhoria na organização, a verdade é que o público sentiu saudade do antigo glamour da rave que era o Skol Beats no passado, quando ocupava o vale verde da velocidade em Interlagos. A organização melhorou, o caos no trânsito acabou, o acesso ficou mais civilizado, a qualidade do som era impecável, as atrações tinham como primado a diversidade, os banheiros melhoraram, a segurança aumentou. Mas nem tudo na vida é conforto, um pouco do encanto da noitada no gramado e com um climão meio rural fez falta.Dentro do sambódromo os incidentes foram mínimos. Fora, houve um princípio de arrastão por volta das 22 horas, que terminou com 30 detenções e alguns boletins de ocorrência. "Recuperamos tudo, graças a Deus", disse a capitão PM Silva. Na hora do show do grupo inglês Stereo MC´s, soltaram de cima da arquibancada do sambódromo 20 mil balões brancos como uma manifestação de pacifismo, aplaudida pela platéia.Segurança - Houve muito rigor na segurança e na identificação do público - era proibida a entrada de menores de 18 anos. Os policiais chegaram a vetar a entrada de pessoas com canetas esferográficas e prendedores de cabelo no festival. Apesar de tanto rigor, muitos menores conseguiram entrar no evento. Entre todas as atrações da noite, brilhou o imprevisto: a figura alto astral do DJ holandês Junkie XL. Trazido despretensiosamente, como um hitmaker (é seu o remix de A Little Less Conversation, de Elvis Presley), Junkie XL é um pregador que faz sermões eletrônicos para multidões, é melódico e pop até a raiz do cabelo. E ainda por cima muito style, com um boné de gangster do tempo da Lei Seca e sapatos de golfista de histórias em quadrinhos.A batida inclemente da música eletrônica começava na concentração do sambódromo e ia até a dispersão, um trajeto de meio quilômetro em linha reta, com alguns atalhos para a área Chill Out, de descanso, e os restaurantes ao estilo barraca de estádio. Para assistir aos principais shows, nos dois extremos do sambódromo (entre a dispersão e a concentração), o "folião eletrônico" precisou caminhar, durante as 17 horas da festa, uma distância média de 15 quilômetros.O que acontecia é que, extenuada, muita gente parava no meio do caminho para tirar uma soneca no Chill Out, onde a música era mais suave e os sofazões espalhados renovavam as forças para a próxima atração. Houve algum problema com vazamento de água nas imediações do portão principal, o que culminou com poças consideráveis e lama ao final da jornada.O line-up do festival era diversificado, com estrelas do agrado de todas as correntes mais radicais do techno, house, tech house, drum´n´bass, acid house. Nos telões, houve um espetáculo à parte dos editores de imagens. Durante o show de Junkie XL, videocriaturas com máscaras de um carnaval veneziano macabro dançavam ao som dos grooves do DJ. Na hora do show do americano Green Velvet, na tenda The End, fez um sucesso enorme a animação que mostrava personagens de quadrinhos, como Cebolinha, Cascão, Luluzinha, Bolinha, Mônica e outros em uma festinha de embalo, sugerindo um grande swing de fita pirata.

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