Gabriela Biló / Estadão
Gabriela Biló / Estadão

Skank revisita músicas dos três primeiros discos, mas não se esquece do presente

Banda inicia processo de visitar o repertório de 'Skank' (1993), 'Calango' (1994) e 'O Samba Poconé' (1996)

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2018 | 06h01

A história que será contada em alguns anos é essa: a música produzida em Belo Horizonte e Minas Gerais naquele início de década de 1990 era rica, mas o engessado mercado da música da época só queria saber de Milton Nascimento e outros que bebiam diretamente dessa (ótima, é bom dizer) fonte “clubedaesquinística”.

O rock brasileiro florescera na década anterior, em polos como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, mas Minas, Estado que tinha bandas com sucesso local, não ganhava repercussão nacional. Um CDzinho demo com o primeiro álbum do Skank, uma banda de rock que tentava criar o dancehall (grosso modo, um reggae sem ser tão político ou religioso) em uma cidade escondida por montanhas chegou ao Rio nas férias de verão, a bordo dos carros de mineiros que curtiriam as praias cariocas naquela temporada.

E, assim, veio o primeiro contrato, o primeiro disco e a história que ajudou a moldar o que se entende como pop-rock daquela geração. 

Mas quem ouve essa história são Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti de hoje, de 2018, todos por volta dos seus 50 anos (Ferretti é o único com 49 ainda). Para eles, é assim que, no futuro, será contado o começo do Skank, mas, por enquanto, eles podem dizer que se trata de uma história “romantizada demais”, brinca Rosa.

“Mas é importante ressaltar que Belo Horizonte ficou à margem do rock brasileiro dos anos 1980. E que essa geração de bandas da década seguinte apareceu como uma surpresa. Gente que misturava ritmos, rock com maracatu, com forró, com reggae.” 

O Skank vem de um raro momento de olhar para trás na carreira. Eles, que nem sequer têm uma versão de disco “acústico” (moda para a geração de bandas nacionais nascidas até o início dos anos 2000), se permitiram esse resgate do passado, com o lançamento hoje do primeiro de três EPs gravados ao vivo, que integra o projeto Os 3 Primeiros

Como o nome diz, trata-se de um resgate das canções dos três primeiros discos da banda – Skank (1993), Calango (1994) e O Samba Poconé (1996) – que não foram “as músicas de trabalho” (termo adorado na época), ou foram engolidas pelos hits radiofônicos que levaram o Skank a rodar o País e o mundo naqueles três anos intensos, como é o caso de Jackie Tequila e Te Ver (de Calango), ou Garota Nacional, Tão Seu e É Uma Partida de Futebol (do Samba Poconé).

Gravado a partir de um show realizado no Circo Voador, no Rio, o projeto Os 3 Primeiros dá espaço para músicas como Tanto (I Want You), Homem Que Sabia Demais e In(Dig)nação, todas do primeiro álbum. 

Cada um dos EPs trará algumas das canções (na versão ao vivo gravada em vídeo e áudio no Circo Voador) de cada um dos três primeiros discos, a começar por Skank, que sai nesta sexta-feira, 31. O EP2, com músicas de Calango, sairá em 14 de setembro. O EP com versões de Samba Poconé chega às plataformas digitais no dia 28 de setembro. O DVD do show completo chega às lojas em 5 de outubro. 

Mas o Skank de hoje não olha apenas para o retrovisor para observar a estrada que ficou para trás. Com o lançamento, eles colocam na rua a música Beijo na Guanabara, música da época de 1990, mas nunca gravada pela banda. Desde agosto, as rádios já tocam Algo Parecido, canção que tem a pegada do Skank atual (mais leveza e violão).

“Esses três primeiros discos marcaram uma sonoridade da banda”, explica Samuel. A partir do quarto trabalho, o Skank se aproxima do que a gente ouve hoje. “Desde o começo, nossa ideia era, com esse lançamento, também mostrar músicas inéditas”, ele explica. A estrada, afinal, segue em frente. 

ANÁLISE DOS TRÊS PRIMEIROS: 

‘Skank’ (1992)

A carga social das letras desse álbum de estreia do Skank acaba diluída nas inspirações estéticas da banda – esse encontro com o dancehall, uma espécie de reggae sem o viés político ou religioso –, mas o sucesso ficou com com a balada Tanto (I Want You)

‘Calango’ (1994)

É com o segundo álbum que o Skank se apresentou, de fato, para o mundo. No ritmo insano da estreia e do segundo disco, a banda foi capaz de acrescentar camadas mais complexas de metais às suas canções de sabor pop. Te Ver e Jackie Tequila são os hits 

‘O Samba Poconé’ (1996)

É quando a banda estoura no País de vez. É Uma Partida de Futebol roda o Brasil, Garota Nacional também. O mercado nacional descobre a força do pop-rock e o Skank lidera criativamente o movimento 

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