Sinfônica de Viena apresenta-se em SP

As orquestras sinfônicas de Viena eBerlim vão encerrar, neste mês, a temporada 2001 do MozarteumBrasileiro. Chega a São Paulo primeiro o tradicional grupoaustríaco, que inicia no domingo uma série de três concertos emque será regido pelo experiente maestro Rafael Frühbeck deBurgos. A primeira delas será domingo, no Parque do Ibirapuera,na zona sul da cidade. Na segunda e na terça, os concertos serãono Teatro Municipal e contarão com a participação do pianistaRudolf Buchbinder. A Sinfônica de Berlim vem a São Paulo no fimdo mês.O programa do parque inclui a Abertura Rei Stephen,de Beethoven, o poema sinfônico Till Eulenspiegel, deRichard Strauss, o terceiro movimento da Sinfonia n.º 3 deBrahms, duas valsas de Johann Strauss Jr. (Danúbio Azul eImperador) e o Intermezzo de La Boda del Luis Alonso, zarzuela de Jeronimo Gimenez. Como de costume, é umFrankenstein criado a partir de trechos das peças a seremexecutadas nos concertos no Municipal e de hits do repertório. Oque, porém, não incomoda Frühbeck de Burgos. "O que importa éque seja um programa variado, popular, sem perder a profundidadee o prazer de ouvir música", diz ele, por telefone, àreportagem.Na segunda e na terça, os programas são um poucodiferentes, o único ponto em comum é a presença do Concertopara Piano e Orquestra n.º 5, Imperador, de Beethoven, que,na segunda aparece ao lado de Till Eulenspiegel e daSinfonia n.º 3 de Brahms e, na quarta, da Sinfonia n.º 1Titã, de Mahler. "São peças bastante interessantes, emespecial o Till Eulenspiegel, uma das mais importantes obrasdo repertório, responsável por uma transformação: depois dela,as orquestras tornaram-se muito diferentes."Com exceção do Intermezzo de Gimenez, no concerto doIbirapuera, nada de zarzuelas (operetta espanhola),especialidade de Frühbeck de Burgos. "A linguagem da zarzuela émuito específica, e é preciso, em termos ideais, ser compreendidaem espanhol. Peças orquestrais apenas, em certa medida, dá parafazer, e acho que o Intermezzo de La Boda del LuisAlonso, foi uma boa escolha."O que se aplica ao canto, pode referir-se também àsonoridade da orquestra. Mas Frühbeck de Burgos evita o velholugar-comum segundo o qual orquestras alemãs e austríacas sãofrias na interpretação, privilegiando a técnica que, emorquestras de outras partes do mundo - como a própria Espanha -é colocada em segundo plano perante a força dramática. "É umatemeridade dizer que é fria a interpretação de uma orquestraaustríaca. O que há é um som, de fato, diferente, em especialdos oboés e das cordas, de colorido muito mais escuro."De qualquer forma, reconhece que são sutis, masimportantes, as diferenças entre orquestras. "Se você toma comoexemplo a Orquestra Nacional de Espanha (da qual ele é diretorartístico) e a coloca ao lado da Sinfônica de Viena, percebe-seque são duas personalidades bastante distintas, dois saborescompletamente diferentes."Híbrido - E ele sabe do que fala. Nascido na Espanha (nacidade de Burgos, nome que incorporou ao seu, para explicitar aorigem espanhola), filho de alemães, para alguns ele é acombinação ideal entre técnica e força dramática. "Procuro, defato, unir esses dois elementos em tudo o que eu faço. Ideal?Agradeço, mas não sei se sou eu o mais indicado para afirmaresse tipo de coisa." A resposta é a mesma quando se depara comum pedido para analisar sua trajetória ao longos dos anos.Frühbeck de Burgos prefere não falar muito do passado.Sobre o começo com a Sinfônica de Bilbao, que regeu com apenas20 anos, diz somente "que foi uma boa orquestra para começar".Quando o assunto é a Philharmonia de Londres (com quem gravoudiscos importantes como a Sagração da Primavera, de Stravinsky,e o Réquiem, de Mozart), a resposta é direta: "Quando a assumi,era uma das melhores da Europa, afinal de contas havia sidodirigida por Karajan e Klemperer."O primeiro contato com a Sinfônica de Viena - da qualele seria diretor musical de 91 a 97 - se deu em 1963. "Quase40 anos de um relacionamento muito feliz e maravilhoso; nesseperíodo aprendi a admirar bastante a sonoridade vienense e fizmuitos amigos."Período no qual também se manteve fiel, acredita, àtradição e à história da orquestra, responsável por grandenúmero de estréias de peças de autores contemporâneos. "Novosautores estão freqüentemente em meu repertório, regi a estréia,recentemente, de um oratório de Von Einem e, na Espanha, graveino ano passado, com a Orquestra de Sevilha, um concerto paraviolão de um interessante compositor chamado LorenzoPolancos."Frühbeck de Burgos acredita que a pretensa falta deinteresse do público pela música contemporânea precisa serdiscutida com muito cuidado, levando-se em consideração diversosaspectos normalmente deixados de lado. "Um deles é o fato deque, antes de mais nada, há compositores contemporâneos que sãofamosos, como Penderecki, do qual as pessoas gostam, e outrosque não chamam a atenção do público." De qualquer forma, amúsica das últimas décadas não devem ser analisadas, para ele,imediatamente. É preciso tempo. "Em 20 anos, talvez, possamosolhar com um pouco mais de objetividade algumas obras ecompositores."Para a próxima temporada, Frühbeck de Burgos prometealgumas novas gravações, que já foram feitas e esperam serlançadas. Uma delas é dedicada a Manuel de Falla e foi gravadaem Madri. Além disso, está gravando Liszt em Berlim e regeconcertos pelo mundo todo. Viria a São Paulo reger a Osesp, masnão vem mais, seus concertos foram cancelados. "Até agora, nãosei exatamente o que aconteceu."Orquestra Sinfônica de Viena. Regência de RafaelFrühbeck de Burgos. Solos do pianista Rudolf Buchbinder. Domingo às 11 horas. Grátis. Praça da Paz/Parque do Ibirapuera. AvenidaPedro Álvares Cabral, s/n.º, tel. 5574-5177; segunda e terça, às21 horas. De R$ 50,00 a R$ 220,00. Teatro Municipal. Praça Ramosde Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698. Patrocínio: Compaq, Pirelli,Schering-Plough, Siemens e Votorantim.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2001 | 15h47

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