Sinfônica de São Petersburgo leva dez mil ao Ibirapuera

Sob um sol forte e um céu azul, mais de 10 mil pessoas assistiram hoje à apresentação da Orquestra Filarmônica de São Petersburgo, dirigida pelo maestro Yuri Temirkanov. Considerada uma das melhores da Rússia, a orquestra fez o público vibrar, principalmente ao executar trechos do balé "Quebra Nozes", de Tchaikovski. A apresentação começou com a "Abertura Festiva", de Shostakovich, "compositor enérgico, criativo e irônico". Ironia que fez o Partido Comunista que dominou a ex-União Soviética exigir que ele se comportasse "como normal"."Essa orquestra é maravilhosa", elogiou Maria de Jesus Fernandes Arruda, de 77 anos, enquanto colocava em seu banquinho de "ordenhar vacas" - herança de quando seu pai criava vacas holandesas no Ceará - numa sacola. "Sou fã da música erudita; não perco uma apresentação no parque." Claudete Giusti, de 52, moradora dos Jardins, também não perde uma apresentação de orquestras na Praça da Paz. "Para ver orquestras como de São Petersburgo num teatro teria de pagar entre R$ 120,00 a R$ 290,00. É muito caro. Aproveito as promoções e as vejo aqui de graça, ao ar livre, tomando sol."Fundada em 1882, a Filarmônica de São Petersburgo é o mais antigo conjunto sinfônico russo. Suas origens remontam ao tempo dos czares, quando se chamava Capela Real da Corte de São Petersburgo. Após a revolução de 1917, adotou o nome de Orquestra Sinfônica da Filarmônica Estatal de Leningrado e, em 1991, quando a cidade voltou a chamar-se São Petersburgo, passou a ter o nome atual.Entre os seus 106 músicos, o flautista Igor Kotov, de 36 anos, é o único que fala português, idioma que aprendeu durante os 20 meses que lecionou música na Fundação Carlos Gomes em Belém, no Pará. Depois de três anos ele voltou ao Brasil. "Estava com muitas saudades das praias, das frutas, do futebol e das mulheres brasileiras", disse. Quando morou em Belém, namorou uma jornalista que trabalhava como correspondente na cidade.A orquestra fará duas apresentações no Rio. "Vou aproveitar para dar uma escapadinha até a praia para matar as saudades", disse. Em São Paulo, a orquestra faz mais uma apresentação, na quarta-feira, na Sala São Paulo.

Agencia Estado,

18 de agosto de 2002 | 22h53

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