Sinfônica de Munique faz concerto em São Paulo

O Coro e a Orquestra de Munique passam rapidamente hoje pela cidade onde, a partir das 21 horas, na Sala São Paulo, fazem uma única apresentação sob regência do maestro alemão Hayko Siemens. Também participa do concerto - parte da temporada de assinaturas da Associação para Crianças e Adolescentes com Tumor Cerebral (TUCCA) - o tenor americano Thomas Cooley.O repertório da apresentação é um tanto quanto variado. O que une as peças escolhidas, segundo Siemens, é o fato de que mostram "que a música é a alma da humanidade, como disse Nietzsche, ?a vida é impensável sem a música?." São elas: Chichester Psalms, de Leonard Bernstein, Missa Criolla, de Ariel Ramirez, Danças Polovtsianas, de Alexander Borodin, Duo Ye n.º 2 e Canções Folclóricas Quenianas, de Chen Yi, e cenas da Carmina Burana, de Carl Orff."A audiência está sendo convocada para uma jornada pelos quatro continentes. Nosso programa traz uma grande variedade para mostrar que a música é uma linguagem universal", diz o maestro, que ressalta as dificuldades estílisticas que isso impõe aos intérpretes, além de outra complicação, no que diz respeito ao coro. "Eles precisam cantar em seis línguas: hebreu, espanhol, russo, kisuaheli, latim e alemão." A trajetória do coro, acostumado ao repertório do século 20 (do qual se considera defensor e divulgador), torna, no entanto, a tarefa um interessante desafio.Siemens também tem seu nome comumente associado à música do século 20, a qual une com o repertório tradicional em seus concertos, um modo, segundo ele, de "fazer com que as pessoas percam o medo de experiências chocantes que podem ter nos guetos onde só executam programas compostos por música contemporânea". "Temos a responsabilidade de tocar a música de nosso tempo, ou ela vai desaparecer da consciência dos ouvintes. Recebemos um chamado para criar interesse e amor pela expressão artística de nossos tempos."Paradigma - Daí portanto a escolha das peças para interpretar em São Paulo. Entre elas, obras relativamente conhecidas e interpretadas, como as Danças de Borodin; outras bastante apreciadas, como Carmina Burana; e duas desconhecidas do público brasileiro, as da chinesa Chen Yi, que acabou de receber o renomado prêmio Charles Ives de composição. Em meio a tudo isso, um paradigma da música do século 20, o compositor e maestro Leonard Bernstein, figura que - entre outras discussões, a respeito de sua vida pessoal - dividiu críticos e público quanto à qualidade de seu trabalho como maestro e compositor.Não se tira dele, por exemplo, o crédito de ser um dos responsáveis por trazer de volta ao repertório das principais orquestras a genial obra de Mahler. Ou então de, ao lado de registros primorosos das sinfonias de Tchaikovski, ter desenvolvido um importante trabalho de educador, apresentando ao público autores como Stravinski. No entanto, ao mesmo tempo que seu West Side Story alcançou grande sucesso, sua popularidade talvez tenha diminuído - ou ofuscado - a consideração dos críticos por outras de suas peças, como suas sinfonias e seus ciclos de canções. Bernstein teria sido, então, uma das mais conhecidas, e pouco ouvidas, personalidades do mundo musical.O maestro Siemens aproxima-se da discussão com certa cautela. Concorda com a polêmica e, à pergunta sobre o papel que o compositor ocupa dentro da história da música, diz que Bernstein foi uma "personalidade única, seja como compositor, escritor, pianista, maestro ou professor". "Mas, acima de tudo, foi um artista maravilhoso e fascinante, premiado com uma inteligência brilhante e coração e alma incomparáveis." E que tinha uma fantasia incansável. "Uma das mensagens finais do Chichester Psalms, contida no Salmo 133, é ?vejam como é bom e agradável quando irmãos se unem?."Assinaturas - A Orquestra de Munique é a segunda atração deste ano da temporada de assinaturas da TUCCA - a primeira foi o recital dos irmãos Assad, em abril. No ano passado, a associação já tinha proporcionado, em noites beneficentes, o encontro memorável do violoncelista Antonio Menezes com a pianista Cristina Ortiz, além de um recital-solo de Nelson Freire.A próxima atração será a Orquestra Sinfônica de Jerusalém que, sob regência de Yeruham Scharovsky, maestro-titular da Sinfônica Brasileira, vai se apresentar com a violoncelista russa Tatjana Vassilieva, Prêmio Rostropovich 2001. Na seqüência estão a Orquestra da Toscana e a soprano americana June Anderson, que se apresenta ao lado da Sinfônica Municipal. O preço das assinaturas varia entre R$ 170 e R$ 620. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (0-11) 3057-0131.

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