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Sinfônica de Londres tem projeto de formação de plateia

LSO Discovery foi criado no começo dos anos 1990

João Luiz Sampaio - ENVIADO ESPECIAL,

01 de setembro de 2012 | 07h00

Os músicos, com seus fraques e vestidos longos, estão prontos sobre o palco do Royal Albert Hall, à espera da entrada do maestro Valery Gergiev, que os comandará em um programa dedicado a obras de Prokofiev. Na plateia, silêncio – e Eleanor Gussman balança a cabeça em leve desaprovação. "De alguma forma, esta imagem me parece equivocada. É tudo tão sério, rígido. E isso não tem nada a ver com a música que daqui a pouco eles vão interpretar. Música é energia, é contraste, é vida", ela desabafa.

Eleanor tem 32 anos. E, desde 2010, é responsável pelo LSO Discovery, projeto de formação de plateia e de relações com a comunidade criado pela Sinfônica de Londres no começo dos anos 1990. "Há um muro entre as pessoas e a música clássica. E nós assumimos a tarefa de quebrá-lo, eliminar as barreiras. O foco, desde o início, foi entender como se conectar com as pessoas. E isso foi sendo conquistado por meio de um trabalho de conscientização com nossos músicos, professores, diretores de escola, aproximando a orquestra do cotidiano das pessoas."

O LSO Discovery engloba diversas frentes. São três os "campos" em que atua. O primeiro diz respeito a atividades com crianças e professores de escolas de regiões menos favorecidas do Leste de Londres. "Não se trata apenas de levá-los a concertos, mas, sim, de levar nossos músicos à escola, colocando um rosto na atividade orquestral e ajudando os professores a desenvolver trabalhos específicos." O segundo se articula em torno de crianças e famílias. "Fazemos oficinas nas quais todos podem tocar um instrumento, assim como realizamos eventos diários, que começam com palestras, conversas com músicos, brincadeiras e culminam com um concerto no fim do dia, sempre com o objetivo de despertar a curiosidade para a música."

O terceiro foco diz respeito aos jovens músicos que pretendem seguir carreira profissional. Aqui, diversas atividades dialogam entre si. A LSO Academy elege uma seção da orquestra por temporada e coloca cerca de 30 jovens para terem aulas com músicos do grupo. "Quinze de nossos instrumentistas de cordas se formaram nesse programa", conta Caro Barnfield, chefe do Centro para Projetos Orquestrais. O LSO on Track monta orquestras e corais com estudantes de escolas londrinas. No Soundhub, o foco é a composição, dando oportunidade a jovens criadores de trabalhar próximo aos músicos, o que oferece ao compositor o olhar do intérprete. Já a Fusion Orchestra extrapola o universo dos clássicos: músicos de qualquer instrumento se reúnem no centro nas instalações de St. Luke’s em sessões de improvisação e investigação de sonoridades.

O Centro para Projetos Orquestrais, por sua vez, tem como objetivo, em parceria com a Guildhall School of Music, preparar jovens músicos para as suas carreiras, contemplando desde treinamento com profissionais até o estudo de possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, passando por masterclasses, oficinas sobre a relação da música com outras artes, prática de música de câmara. "A ideia, em resumo, é estabelecer um fórum de discussão sobre o papel do músico no século 21", diz Caro.

 

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