Simple Minds presta tributo a seus ídolos

Era para o Simple Minds ter lançado Our Secrets Are The Same no ano passado. No entanto, o material está embargado por um litígio judicial entre o grupo e a EMI, antiga gravadora da banda. Assim, desde Neapolis, de 1998, os escoceses que invadiram as paradas com os hits Don´t You Forget About Me e Alive and Kicking, em meados dos anos 80, não figuravam nas prateleiras de lançamentos. Por isso, enquanto o disco de inéditas não sai, o cantor Jim Kerr e o guitarrista Charlie Burchill, únicos remanescentes da formação original, resolveram voltar no tempo e gravar músicas dos seus ídolos. O resultado desse "mergulho" está em Neon Lights, que será lançado por aqui no início de novembro.Como cresceram no Reino Unido, Kerr e Burchill foram mais influenciados pelas bandas da região. A primeira música do disco é o maior reflexo disso. Gloria foi lançada, em 1965, pelo grupo Them, liderado pelo "jovem" Van Morrison, hoje considerado um dos maiores cantores que a Irlanda já pôs no mundo. David Bowie aparece na segunda posição, com The Man Who Sold The World, canção também regravada pelo Nirvana no CD Acústico em NY, de 1994. Uma das maiores influências do Simple Minds, o Roxy Music, não foi esquecida. A música Four Your Pleasure, do álbum homônimo de 1973, traz um Bryan Ferry antes da fase glam, a preferida de Kerr. Outra música dessa fase é Being Boiled, dos ingleses do Human League. Também nos anos 70, os rapazes do Simple Minds foram buscar Neon Lights, do Kraftwerk. A versão dos escoceses mostra que os alemães não investiam apenas na eletrônica. Ainda pelo continente europeu, destaques para as versões do Echo And The Bunnymen (Bring On The Dancing) e do clássico do Joy Division, Love Will Tear Us Apart.Já na América, o Simple Minds encontra a mais pura poesia nova-iorquina. Velvet Underground, com All Tomorrow´s Parties, e Patti Smith, com Dancing Barefoot, mais conhecida pela nova geração na versão garavada pelo U2. Duas escolhas "estranhas" devem surpreender os fãs. A música The Needle And The Damage Done, do canadense Neil Young e Hello I Love You, do The Doors.Normalmente esses discos tributos trazem versões modernas e interpretações muitas vezes bizarras. O Simple Minds foi na direção contrária e tentou manter o arranjo original. Felizmente a voz de Jim Kerr conseguiu agüentar bem a diversidade das músicas escolhidas. Muitos vão acusá-los de falta de criatividade ou de mercenários, mas o que realmente importa, na maioria dos tributos, é o eco. Isto é, canções esquecidas que passam a ter uma outra chance, com uma outra geração.

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