silverchair fecha Rock in Rio

O trio silverchair (com letra minúscula mesmo) é, hoje, a maior banda de rock da Austrália, o que não é pouco. Será um dos responsáveis, com os americanos Red Hot Chili Peppers e Deftones, pelos shows de encerramento do Rock in Rio, em 21 de janeiro.Formado em 1992, já vendeu ao redor do mundo mais de 10 milhões de discos e chega ao Brasil com uma respeitável legião de fãs nacionais no currículo. Seu disco mais recente, Neon Ballroom (Sony Music, 1999), ganhou disco de ouro no Brasil."Pode-se dizer que é um pouco verdade que somos uma banda grunge, porque o estilo é parecido, principalmente no nosso primeiro disco", disse o baixista da banda, Chris Joannou, em entrevista por telefone na noite de terça. "Mas, na verdade, fazemos o que sabemos fazer e o que acreditamos, esse é o nosso estilo".Joannou contou que o grupo deve interromper o trabalho de gravações do seu novo disco para apresentar-se no Brasil, mas que deverá valer a pena. "Será o maior público que o grupo já teve em um show ao vivo, e esperamos corresponder à expectativa", afirmou o baixista.Joannou lembrou que o silverchair já esteve no Rio, em 1996, e recorda com bastante animação do local onde ficou hospedado, em Copacabana. "O Rio é um bocado diferente de Newcastle", diverte-se. Newcastle é a cidade australiana onde o grupo foi formado, em 1992, contando - além de Joannou - com Ben Gillies (baterista) e Daniel Johns (guitarrista e vocalista)."Éramos colegas de escola e começamos tocando na garagem da casa dos meus pais, num grupo que chamávamos, na época, de Innocent Criminals", ele lembra. "Não sei se esse nome veio antes ou depois do nome da banda de Ben Harper, mas não foi um nome de fato, só uma coisa inicial", ele conta. Em 1995, estrearam com Frogstomp, que os projetou para além das fronteiras australianas.Misturando acordes melodiosos e barulho infernal, alternância contínua de luz e sombras e um certo entusiasmo juvenil, o silverchair foi longe. "Sim, há um monte de barulho e também um certo senso dinâmico - tocamos o mais alto e o mais rápido possível", diz o músico.Em seu álbum mais recente, Neon Ballroom, o silverchair mostrou também algum gosto para a experimentação. Na faixa Anthem for the Year 2000, misturam o seu "grunge dundee" com a sutileza do coral da escola pública de New South Wales. E o grupo chegou a gravar também com o pianista prodígio esquizofrênico David Helfgott (retratado pelo filme Shine - Brilhante)."Eu não sou exatamente um ouvinte de música clássica", diz Joannou. "Mas quando ele veio até o estúdio e tocou o piano, eu disse: ´Oh, Meu Deus, isso é absolutamente fantástico, maravilhoso", afirma. Helfgott toca na faixa Emotion Sickness, que explora orquestrações e crescendos dramáticos sinfônicos.Sua música pode ser ouvida na trilha de Scary Movie, lançada aqui pela Roadrunner em outubro. A faixa é Punk Song 2, enfileirada com Bloodhound Gang (The Inevitable Return of the Great White Dope), Ramones (I Wanna Be Sedated) e Public Enemy (What What).Também regravaram London´s Burning, clássico do The Clash, na coletânea Burning London - The Clash Tribute, lançada no Brasil pela Epic/Sony). E estão na trilha barulhenta de Spawn - O Soldado do Inferno. Discípulos diretos de Kurt Cobain, garotos que estouraram para o mundo com média de idade de 18 anos, eles são de fato uma coqueluche adolescente - no estilo mais raivoso.Segundo disse em entrevista no seu site o vocalista Daniel Johns, fazer shows nos próximos dois meses não estava nos planos do grupo. Eles queriam primeiro terminar o álbum. Mas o convite para o Rock in Rio foi irrecusável, e eles ficaram seduzidos pelo fato de tocarem no "maior festival de rock do mundo", que já tinha superado o público de Woodstock em 1985. Antes do Rock in Rio, eles devem tocar no Falls Festival, na Austrália, na festa de Ano Novo australiana.

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