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Show triunfante de Liniker, desconstrução de gêneros e gritos de 'Fora, Temer' marcam Vento Festival

Segunda noite do evento realizado em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, quebra preconceitos e levanta a bandeira da diversidade

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2016 | 12h54

Com gritos de "Fora, Temer", a segunda noite do Vento Festival, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, nesta sexta-feira, 10, foi marcada pela diversidade e a desconstrução de gêneros. Liniker, Rico Dalassam e As Bahias e a Cozinha Mineira fizeram uma apresentação intensa e contra o preconceito. A performance coletiva das artistas do projeto Salada das Frutas se destacou não só pela qualidade musical de cada uma das integrantes, mas também pela bandeira da diversidade levantada em alto e bom som. 

Liniker, a primeira a se apresentar, mostrou logo de cara a sua potência vocal. Uma das grandes apostas da música brasileira, a cantora levou sutileza ao público, que lotou as areias da praia de Perequê para assistir sua performance à frente dos Caramelows. Os arranjos da guitarra funkeada, além do baixo e da bateria suingados, tornaram o show dançante. 

As composições de Liniker trazem em sua essência uma pitada única de brasilidade e um groove transcendente. Em Zero, a proposta de Liniker fica clara: emocionar. Com o EP CRU, de 2015, a artista nascida em Araraquara, no interior de São Paulo, tenta um financiamento coletivo na internet para lançar seu primeiro álbum de estúdio, Remonta. As doações podem ser feitas até 22 de julho. 

Rico Dalassam deu continuidade à performance peculiar de Liniker. Com o microfone nas mãos, o rapper brilhou. As músicas de Orgunga, seu primeiro e único disco de estúdio, dominaram o set. O rapper mostrou presença de palco e soube controlar o nervosismo. Rico Dalasam, nome artístico de Jefferson Ricardo da Silva, 26, é o único rapper abertamente gay da cena musical brasileira e desponta como representante do movimento "queer rap". Dalasam é a abreviação da frase "Disponho Armas Libertárias a Sonhos Antes Mutilados". Ao final, Liniker e Dalassam  se juntaram à banda As Bahias e a Cozinha Mineira `para uma versão eloquente de Olhos Coloridos.

Fora Temer. Mais cedo, por votla das 20h30, Jaloo subiu ao palco. "Primeiramente, fora Temer. Segundamente, vamos dançar mais", disse ele, que foi acompanhado pelo público no coro contra o presidente em exercício, Michel Temer. Nascido em Castanhal, no Pará, o músico lançou seu primeiro trabalho, #1, em 2015. Jaloo faz um som diferente. Junta batidas eletrônicas e sintetizadores ao som regional do seu estado. Insight, musica mais conhecida do cantor, cadenciou a apresentação. Comparado a seus primeiros shows, Jaloo amadureceu. "Chega de sofrência, hora de bater cabelo", gritou antes de tocar Pa Parará, composição enérgica e que resume bem a essência da sua sonoridade. Na metade da apresentação, Jaloo tirou o agasalho preto e colocou um top e uma calça branca. A troca no vestuário exemplifica a desconstrução de gêneros, uma das premissas do artista.

Quem abriu a segunda noite em Ilhabela foram os irmãos André e Murilo Faria, integrantes do grupo paulistano Aldo, The Band. A banda, que faz um rock eletrônico próximo do dance-punk, conseguiu, de forma sucinta, equilibrar os estilos. Descamisados, colocaram o público para dançar em Ilhabela, mostrando um vigor sonoro. O Bonde do Rolê, comandados por Laura Taylor, Pedro D'Eyrot e Rodrigo Gorky encerraram os trabalhos no palco principal. O trio transformou a areia da praia de Perequê num verdadeiro baile funk.

Os shows continuam neste final de semana. No sábado, 11, os destaques do Vento Festival são: Filipe Cato, Karina Buhr e Johnny Hooker. No domingo, 12, Dom Pescoço, O Grande Grupo Viajante e Bruno Morais encerram o festival.

PROGRAMAÇÃO

Sábado, 11

19h - Filipe Catto

20h30 - Karina Buhr

23h30 - Johnny Hooker

0h30 - Lay 

Domingo, 12

16h - Dom Pescoço

17h - O Grande Grupo Viajante

18h - Bruno Morais 

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO DO EVENTO

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