Show revela a nova geração do blues

Quando se fala em blues ainda vem a muitos a imagem do velho negro do sul dos Estados Unidos choroso a despejar lamentos ao violão. Aos que insistem na anacrônica referência, a dica é a dobradinha que Jeff Healey e Robert Cray, blueseiros que indicam novos horizontes ao gênero há vinte anos, fazem hoje e amanhã, no Credicard Hall.A apresentação é a primeira da série Visa Sounds, que trará ainda Brian Ferry, em junho, e Buddy Guy, em setembro. O encontro dos guitarristas foi pensado exclusivamente para o Brasil. Inicialmente previsto para o final de 2001, foi cancelado à época por causa dos atentados de 11 de setembro.Os dois não ficarão juntos no palco o tempo todo. Robert Cray vem a bordo do repertório soul music de seu recente álbum Shoulda Been Home, mas fará as sempre eficientes Nothing But a Woman e Strong Persuader. Healey, que lançou há dois anos Get me Some no exterior, é sempre mais populista.Gosta de jogar para a platéia e, por mais que inclua novidades como Which One e Hey Hey, deverá colocar em momentos nobres músicas de discos como Cover to Cover, de 1995, e Hell do Pay, de 1990.Robert Cray e Jeff Healey são semelhantes nos discursos mas de propostas sonoras distantes. Cray livrou-se há um bom tempo das amarras da tradição ao quebrar em suas canções o sexagenário formato dos doze compassos sobre acordes 1-4-5. Em miúdos, trata-se de uma convenção harmônica e rítmica que faz com que um blues pareça-se tanto com outro. Na verdade, seus solos, obrigatoriamente improvisados, são sempre um totalmente diferente do outro.Jeff Healey tem sangue roqueiro. Quando toca blues o faz pesado, de frases gritantes. O canadense, que ficou cego ao completar um ano de vida, se apresenta com a guitarra no colo. Na primeira vez que o viu, B.B.King desceu do trono e falou: "Eu nunca vi nada igual. Sua execução é a melhor que já vi em toda a minha vida. Mantenha isso e você vai ser maior que Stevie Ray Vaughan, Stanley Jordan e B.B.King."Robert Cray e Jeff Healey. Hoje e amanhã, às 22h. Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17955. Tel. 5643-2500). Ingressos: de R$ 20 a R$ 140.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.