Show histórico do Led Zeppelin reúne fãs de 50 países

Marmanjos de todo o mundo, inclusive do Brasil, choravam e se abraçavam, como se vissem o impossível

Adriana Del Ré,

11 de dezembro de 2007 | 19h54

Na noite de segunda-feira, 10, cerca de 20 mil pessoas estavam em estado de êxtase vendo o velho desejo se concretizar: a volta do mito Led Zeppelin. São quase três décadas desde que o grupo chegou ao fim e o tão aguardado show da banda britânica, realizado no palco do O2 Arena, em Londres, entra para a história não só como o retorno da banda aos palcos, mas também como um dos maiores encontros de fãs de todo o mundo num só lugar. "É meio estranho, temos aqui gente de 50 países", disse durante o show o vocalista Robert Plant, de cavanhaque, roupa preta e os velhos cachos loiros.Veja também:Vídeo inédito do show Brasileiros contam com a sorte para ver showConfira as fotos   Podcast Sub - A volta do Led Zeppelin  Veja final do show com 'Stairway to Heaven no YouTube'   Marmanjos de todo o mundo choravam e abraçavam o amigo ao lado, como se o impossível tivesse se tornado real. Outros dançaram sozinhos, sob efeito hipnótico dos riffs de Jimmy Page. O tributo a Ahmet Ertegun, lendário fundador da Atlantic Records (selo que lançou a banda nos anos 60), foi o motivo que levou o grupo a se reunir, com praticamente sua formação clássica: Plant, Page e o baixista John Paul Jones. O baterista Jason Bonham ocupou o lugar do pai, John Bonham, morto em 1980. Antes desse show histórico em Londres, o Led Zeppelin só havia se encontrado nos palcos duas vezes: em 1985, para o show beneficente Live Aid, e no aniversário de 40 anos da gravadora Atlantic em 1988, já com o baterista Jason Bonham. O show de abertura, às 19h30, foi comandado por Bill Wyman, ex-Rolling Stone, que recebeu Paul Rogers e Mick Jones. Às 21 h, as luzes se apagaram e, no telão, um trecho do filme The Song Remains the Same descrevia a história da banda Led Zeppelin. Robert Plant abriu a noite cantando o clássico Good Times Bad Times. Foi um show para quem conhecia a fundo a discografia da banda e também para quem só estava familiarizado com os hits ledzeppianos. O quarteto emendou Ramble On, Black Dog e In My Time of Dying. Plant resolveu falar com o público antes de For Your Life. "São muitos sentimentos envolvidos. Finalmente, chegamos a este ponto", disse ele. Antes de Trampled Under Foot, do álbum Physical Graffi, Plant deu a dica. "Este é o estilo Led de fazer blues." Mesmo prometendo dar um tempo em Stairway to Heaven, Plant rendeu-se a ela, para fãs visivelmente agradecidos com tal ato de generosidade. O vocalista o fez em memória do amigo Ertegun. Since I’ve Been Loving You soou repaginada, assim como outras músicas. Houve espaço para novos arranjos, improvisação. E para a velha guitarra nervosa de Page, que fez miséria em canções como Dazed and Confuse e Misty Mountain Hop, além, claro, em seus solos quase que obrigatórios. Plant e Page continuam entrosados, mas o vocalista não atinge mais os agudos. Com a música Kashmir, eles brincaram de encerrar quase duas horas de show. Mas houve outros dois bis, particularmente especiais. Primeiro, veio Whole Lotta Love e depois Rock and Roll. Robert Plant e seu trio se despediram do público, mas para a maioria o sonho se estendeu para horas e horas depois. Há quem diga que o show, que nasceu para ser único e em Londres, vai virar turnê. O vocalista do Cult, Ian Astbury, deu a dica recentemente durante um show. Disse que, durante o próximo ano, abrirá o show de uma banda famosa, que tem L e Z no nome. Um fã gritou Led Zeppelin e ele confirmou. Mas há quem diga também que a banda deveria parar por aí. Que Plant não tem a mesma voz de antes e Page, o mesmo fôlego para encarar uma turnê. A possível tour não foi confirmada. Apesar da expectativa de confusão, a troca de ingressos para o show no O2 Arena foi tranqüila. Os ingressos foram distribuídos em sorteios na internet, no site oficial do projeto, entre as cerca 20 milhões de pessoas cadastradas. Só 20 mil foram contempladas, mas por conta de mudança de data de show ou mesmo falta de dinheiro, leilões extra-oficiais surgiram superfaturando os tíquetes. No site EBay, houve quem cobrasse 5 mil libras (cerca R$ 20 mil) por dois ingressos. Isso enfureceu a produção do projeto, que prometeu barrar todo mundo cujo nome no ingresso não coincidisse com o do comprovante de pagamento do cartão de crédito e do passaporte. Isso porque, quem foi sorteado, recebeu um código e teve direito a comprar dois ingressos, em seu nome, por 125 libras cada um, mais taxas, num total de cerca de R$ 1 mil. E, claro, bancar a viagem a Londres por conta própria.

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