Show em SP reúne Noite Ilustrada e Jair Rodrigues

No terceiro encontro do projetoSamba em Sampa, que começou no dia 11, ocorre a primeiracelebração aos bambas "paulistas": Noite Ilustrada, que émineiro, mas escreveu parte da história do samba e da boemia deSão Paulo, nos anos 60, e Jair Rodrigues. A cantora SuzanaSalles, cria da vanguarda paulistana, fará participaçãoespecial. O Quintento em Branco e Preto, grupo de jovenssambistas que preserva as raízes do gênero na cidade, vaiacompanhá-los. O espetáculo começa sábado, às 21 horas, noTeatro Crowne Plaza.No início do ano, Noite Ilustrada lançou Perfil de umSambista, pela gravadora Trama. Uma obra obrigatória nadiscoteca do amante da música brasileira. É um disco que não temfalsas canções nem rimas capengas. Tem sambas intensos, daquelesque desmontam até os chatos. Sobre isso, Noite afirma que temmuito de ator. "Mesmo que eu não demonstre claramente, tenho depassar pelo que o autor passou, ver qual o seu pedaço está maisdolorido, se o cotovelo ainda está machucado", diz Noite. "Temmúsica que ainda mexe comigo. E também choro. A canção Meus 20Anos (de Wilson Batista e Sílvio Caldas) é muito antiga,lembro-me da gravação de Sílvio Caldas. Tem muita coisa minhaali. Parece que eu a fiz", conta ele, que sabiamente veste opersonagem, tão intrínseco, sempre elegante. A canção diz: "Nosolhos das mulheres/ No espelho do meu quarto/ É que eu vejo aminha idade./ Um retrato na sala/ Faz lembrar com saudade/ Aminha mocidade." Ao vivo, isso é uma rasteira, sem chão para seapoiar.Noite é personagem no palco. Suas palavras, como asditas numa entrevista, não têm exatamente essa intenção, emboratenham algo de teatral. Já a sua voz, essa éinspiradora. O compositor e violeiro Adauto Santos, que morreuem 1999, foi um desses comovidos.Ainda no tempo da famosa casa noturna Jogral, que ficavana Galeria Metrópole, nos anos 60, os dois se conheceram. Santostrabalha nesse local. Noite trabalhava no Uísque Drink. Nosintervalos, escontravam-se, batiam papo, eram bons companheirosde boemia, de copo. E de música. Passados muitos anos, Noite jámorando em Atibaia, Adauto liga para ele e diz: "Estouvisitando alguns amigos que moram perto de você, e agora resolvifazer uma música especialmente para você. Te mando a fita."Noite, como relembra, não acreditou que ela era tão especial."Vejo que é a minha biografia, um pouco caricatural, mas éminha vida", diz ele. Noite, como expressa o belo samba, é "umdos poucos que restam com fama de bamba".Para ele, os anos 60 foram muito felizes em todos ossentidos. "Éramos todos unidos, a madrugada longa e tínhamosmuitas casas noturnas para tocar. Trabalhávamos em três lugaresdiferentes por noite", recorda. "Fiquei muito triste quandoouvi que São Paulo era o túmulo do samba. Não conheciam SãoPaulo e, por pouco, não nos enterraram juntos. A coisa começou apiorar com o golpe militar; daí em diante, parecia que o sambatinha feito mal criação e alguém o colocou de castigo."Já com Jair Rodrigues, a amizade prossegue até hoje.Foram por muito tempo companheiros de boemia e música. Hoje, amúsica impera. Conhecem detalhamente os seus repertórios."Amamos Ataulfo, Noel. Adoro a música dele e ele a minha", dizJair. Preparem os lenços.Noite Ilustrada e Jair Rodrigues. Sábado, às 21 horas.R$ 20,00. Teatro Crowne Plaza. Rua Frei Caneca, 1.360, tel.289-0985. Patrocínio: Imprensa Oficial do Estado.

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