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Show dos 70 anos de Eric Clapton soa preguiçoso

Sem o mesmo empenho de outros tributos que participou, guitarrista chama uma banda calejada, dispensa convidados especiais e escolhe suas canções mais executadas

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2015 | 16h00

O ano de 2015 foi de balanço para Eric Clapton. Foi quando, no dia 30 de março, ele chegou aos 70. Foi o ano em que ele completou sua 200ª apresentação no monumental Royal Albert Hall, sua casa, em Londres, cinquenta anos depois de fazer ali sua primeira apresentação com a banda The Yardbirds.

A nostalgia o fez voltar no início do ano ao Royal para uma série de shows intitulada 'Slowhand at 70', usando o apelido do ‘mão lenta’ que o colocaram nos anos 60, quando ele ainda começava a carreira mais preocupado com o que cada nota dizia do que com quantas poderia tocar por minuto.

Clapton chamou uma banda de amigos de longa data, muitos que vieram ao Brasil com ele por mais de uma vez, e que desenham um som mais robusto do que em seus projetos mais acústicos. A bateria é de Steve Gadd, os teclados são de Chris Stainton, os vocais de apoio de Michelle John e Sharon White e o contrabaixo de Nathan East. Andy Fairweather Low, eterno escudeiro, é o convidado em 'High Time We Went' e tem ainda a voz de e o teclado de Paul Carrack, ex-Roxy Music, na música 'You Are So Beatiful', fazendo a própria banda se emocionar. Um grupo para quem quer resolver a parada sem precisar de ensaio.

Clapton foi generoso, às vezes até mais do que o normal, na escolha de seu repertório. Ainda que tenha a homenagem ao amigo morto JJ Cale com a abertura de 'Somebody’s Knockin’ On My Door' e um bônus com 'Little Queen of Spades', do pai de todos, Robert Johnson, ele cede demais àquilo que os artistas pretensamente acreditam que seu público espera deles. 'Pretending', 'Tears in Heaven', 'Wonderful Tonight' e 'Cocaine' são canções pelas quais o próprio Clapton demonstra sinais de cansaço. Não fariam falta de abrissem espaço para outras faixas como alguma passagem menos óbvia pelo fabuloso Cream do que 'Crossroads', revirada das formas mais distintas.

'Tears in Heaven' tem para ele um significado especial, doloroso, que o fez se afastar da própria canção por anos. A versão que faz aqui é mais fraca em drama, marcada por um reggae sutil com a guitarra, como se brincasse com o universo de seu pequeno Conor, que em 1991 caiu da janela do 53º andar de um prédio em Nova York. 

'Layla' também está na linguagem acústica que a relançou no disco 'MTV Unplugged', de 1992, mas sem a mesma força. Vem em um andamento mais acelerado, menos sutil, mais compassada e cheia de improvisos para a plateia. Clapton diz que não vai mais sair do hemisfério Norte até o fim de sua carreira. Por isso mesmo, devia uma comemoração de 70 anos mais criteriosa. Algo como o tributo que ele dirigiu para o amigo George Harrison em 2002.

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