Show do U2 teve 'Trem das Onze', de Adoniran

Quarteto irlandês inovou em repertório neste sábado no Morumbi; banda britânica Muse, que abriu a noite, sofreu com qualidade de som inferior

Jotabê Medeiros e Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S. Paulo,

09 Abril 2011 | 23h05

SÃO PAULO - “Bahia! Paraná! Minas! São Pauloooo!”. Os gritos de Bono acirraram os ânimos regionalistas. A banda entrou às 21h40 com o estádio cheio, cerca de 90 mil pessoas. Tocando Even Better than the Real Thing (do disco Achtung Baby, de 1991), estava oficialmente aberta a temporada da aranha mecânica na paulicéia – chegava a São Paulo uma das mais aguardadas turnês da atualidade, o show U2 360º, que começou sua trajetória no estádio dos Giants, em New Jersey, em setembro de 2009.

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Pouco antes do grupo entrar caminhando pela exoestrutura que é parte forma de aranha, parte nave espacial, parte uma gigantesca catedral, os equipamentos de som tocaram Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, cantado em coro pelo público no Morumbi. “Soooou filho únicooooo”, gritavam. Depois, veio a senha para o início do show: a execução mecânica de Space Oddity, de David Bowie, um chamado para a pequena odisséia espacial do U2. O telão mostrava a banda caminhando em direção aos instrumentos, e o público delirava.

 

Em seguida, veio I Will Follow,  aquela que ganhou a participação mais ativa do público, seguida de canções do disco novo, como a música título No Line in the Horizon. O U2 emendava hit atrás de hit, como Misterious Way, Elevation, I Still Haven't Found What I'm Looking For, e a platéia ensandecida entrava de cabeça nesse gigantesco "transformer do rock".

 

 

É diversão com uma missão, o negócio do U2. Houve momentos em que o Morumbi quase veio abaixo. Quando Bono cantou Sunday Bloody Sunday, foi de arrepiar. As plataformas do palco, “pontes”, são móveis, e levam a banda para todos os lados do gramado.

 

Pouco depois, no telão, um vídeo mostrou o astronauta Frank de Winne, a bordo da Estação Espacial Internacional, recitando um poema. E o bispo sul-africano Desmond Tutu, que ganhou o Prêmio Nobel, fazendo um pronunciamento.

 

Era a hora do ativismo, já quase no final. Bono agradeceu aos fãs e à Anistia Internacional pela campanha que libertou a líder política de Burma, Aung San Suu Ky Met, que ficou quase 20 anos presa por “acreditar na democracia”, segundo o U2. Pessoas carregando lanternas distribuíram-se pelo palco, e Bono atacou All that Cant’t You Leave Behind.

 

Um fã gritava: “Quero mais! Paguei caro!”. E o U2 parecia saber disso, porque o bis não ia terminar ainda. “Que noite!”,  disse Bono, pouco antes do bis, que veio com One. Depois, veio Where the Streets have no Name.  A banda só foi embora após 2h10 de show. Do lado de fora do estádio, sua torre iluminada buscava o céu, como se fosse mais uma das torres de comunicação da Avenida Paulista.

 

 

Fotos: Mônica Bento/AE

 

Show de abertura. A banda de abertura Muse foi prejudicado pela qualidade do som. A essa altura, pensava-se que coisas do tipo não ocorresse mais com bandas de abertura.

 

O grupo foi bem recebido, mesmo por grande parte do público que nunca tinha ouvido falar da banda. O show, entretanto, não teve o mesmo resultado da antológica apresentação da banda em São Paulo em 2008.

 

O som do Muse é um mix de diversas tendências do rock e, como já havia se constatado da outra vez, tem cacife para encarar multidões. Só que na imensidão do Morumbi, sutilezas dos arranjos acabaram se perdendo.

 

É o caso de United States of Eurasia, que começa como uma balada, em que Bellamy troca a guitarra pelo piano, e depois “explode” com grandiloquência de pretensões sinfônicas. É quando o Muse mais se aproxima do Queen, banda com a qual vem sendo comparado. Outro toque sutil que passou despercebido foi a citação de O Homem da Harmônica, de Ennio Morricone, tema do clássico western Era Uma Vez no Oeste, no início de Knights of Cydonia, com que encerrou a apresentação

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