Show de voz e violão de Ney Matogrosso vira álbum

O projeto Canto em Qualquer Canto de Ney Matogrosso ganha agora versão em CD ao vivo (Universal) e sai em DVD em setembro. O show de voz e violão foi realizado para comemorar o aniversário do Canal Brasil. Acompanhado pelo quarteto de cordas formado por Ricardo Silveira (violão elétrico e guitarra), Zé Paulo Becker (violão e viola caipira), Pedro Jóia (violão e alaúde) e Marcello Gonçalves (violão 7 cordas), Ney pinçou canções de seu repertório de 1974 a 2001, como Bandolero (Luli/Lucina), Dos Cruces (Carmelo Larrea), Retrato Marrom (Rodger Rogério/Fausto Nilo) e Amendoim Torradinho (Henrique Beltrão). A elas juntou outras conhecidas, mas que nunca tinha gravado. São Oriente (Gilberto Gil), a faixa-título de Itamar Assumpção e Ná Ozzetti, e Já te Falei, dos tribalistas Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown e Dadi Carvalho, lançada por Rita Lee em 2003. Além disso, incluiu duas belas canções de Pedro Jóia em parceria com Tiago Torres: Canção por Acaso e Duas Nuvens. A primeira já havia sido registrada por Mônica Salmaso, a segunda, Ney cantou num disco de Jóia. "O formato intimista me fez modificar o canto", diz Ney, que já gravou alguns sucessos de Canto em Qualquer Canto outras vezes. É o caso de Bandolero, um dos clássicos ´matogrossenses´, que ressurge com o frescor de quando foi registrado pela primeira vez em 1978. Além de constar de outro disco ao vivo, de 1989, Ney a regravou em Vinte e Cinco (1996). Retomar evidências do próprio repertório, no caso de Ney, não soa repetitivo, por conta de sua constante capacidade de renovação. "As canções voltam porque sempre são citadas pelas pessoas. E não são só coisas antigas: vivem me pedindo para cantar Poema (Cazuza/Frejat). Tenho de considerar isso e botar na roda mesmo", defende. As versões atuais de outras canções de Canto... são tão expressivas quanto as originais (algumas talvez melhores), caso da salerosa Bamboleô (André Filho), que Ney trouxe de Batuque (2001). Outros achados são Ardente (Joyce), do álbum Seu Tipo (1979) e O Doce e o Amargo (1974), de João Ricardo e Paulinho Mendonça, mais uma significativa investida de Ney no acervo dos Secos & Molhados. A belíssima canção-título de Canto em Qualquer Canto joga mais brilho sobre o legado de Itamar Assumpção.Ney impressiona não só pela exuberância e o apelo encantador das interpretações como pela alteração mínima do timbre na maturidade. Aos 63 anos, ele canta com o mesmo registro de voz colorido de 30 anos atrás, quando abalou as gerais à frente dos Secos & Molhados. Cantar bem em qualquer canto, com personalidade, é para poucos hoje.

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