Show de Roger Waters lota estádio do Morumbi em SP

Roger Waters realizou o sonho de muita gente em São Paulo. O ex-líder do Pink Floyd levou ao palco do Morumbi, na noite deste sábado, 24, alguns dos maiores sucessos da mitológica banda britânica e emocionou um público estimado em mais de 40 mil pessoas. Como bom inglês, Waters começou o show rigorosamente no horário - por volta de 21 horas. Abriu com a potente In the Flesh, do álbum The Wall, para mostrar ao que veio. Em seguida, arriscou um ?obrigado? em português, para emendar com outra pérola de The Wall, Mother. Depois, Waters voltou a 1968, tocando Set the Control for the Heart of the Sun, do disco A Saurceful of Secrets. Emendou com três clássicos do ótimo Wish You Were Here - Shine on You Crazy Diamond, Have a Cigar e Wish You Were Here, todas cantadas em arrepiante coro pela multidão. Waters aproveitou para apresentar uma música nova,Leaving Beirut, na qual contou sua experiência na capital libanesa aos 17 anos, acolhido por uma família árabe pobre. A canção esculhamba Bush e Blair sem dó. Waters fechou a primeira parte do show por volta das 22h20 com Sheep, música eletrizante do álbum Animals, e a cena contou com o famoso porco inflável gigante. No animal, liam-se frases como "Hey, killers, leave our kids alone" (versão antiguerra de um dos principais versos de The Wall) e também "Ordem e Progresso?" e "O Brasil está sendo vendido". Enquanto isso, no imenso telão do palco eram exibidas imagens da usina de energia Battercy, que serve de ilustração para a capa de Animals. Na pata dianteira direita estava a palavra "políticos" e na pata direita traseira lia-se "o medo constrói canalhas". Para terminar o abate do porco, em seu pescoço uma linha indicava "corte aqui". O porco foi solto e voou por São Paulo. A segunda parte do show foi inteiramente dedicada ao disco The Dark Side of The Moon, maior sucesso do Pink Floyd e o terceiro álbum mais vendido da história. Lá estavam todo o virtuosismo e as emocionantes intervenções das cantoras que acompanham Waters, sobretudo na apoteótica Great Gig in the Sky. Neste momento, o caríssimo ingresso (até R$ 500) se pagou. No bis, Waters trouxe mais músicas de The Wall, como Vera, Bring the Boys Back Home e, claro, The Wall, cantada junto com um coral de crianças do Projeto Guri. Para fechar o show com a sensação de dever cumprido, Waters tocou Comfortably Numb, e a essa altura ninguém mais conseguia ficar sentado. Levitava-se. Encontro de gerações Os portões do Morumbi foram abertos por volta das 17 horas. A fila heterogênea - recheada de adultos, jovens e algumas crianças - andou bem e transcorreu sem incidentes. "Essa banda não é a minha predileta, é a minha vida", disse um emocionado fã de Waters, Jonas Lobo, de 22 anos. Se para muita gente foi uma surpresa a vinda do músico ao País este ano, para o estudante de música era uma ?certeza?. "Conheci o Pink Floyd em 1996 e desde 1998 venho tendo sonhos com a banda. Até que um dia sonhei que eles vinham para o Brasil neste ano. Todo mundo me chamou de louco, mas aí estão eles", contou. E arriscou um novo presságio. "Daqui a 2 anos, o Pink Floyd com sua formação original virá ao Brasil". Com lágrimas nos olhos, Lobo, o primeiro da fila que se formou em um dos portões de acesso ao gramado, dizia que mal podia esperar para assistir ao show e conferir a música Leaving Beirut. "Minha preferida é Wish You Were Here. Dá uma paz de espírito", disse Jackson Santiago, de 27 anos, que, junto com o amigo, Daniel da Silva, de 25, chegou ao estádio às 11 horas, mas cedeu o primeiro lugar a Lobo, que chegou às 16 horas porque tinha ido até o Aeroporto de Congonhas acompanhar a chegada de Waters. O músico havia se apresentado na sexta-feira, 23, para cerca de 45 mil pessoas na Praça da Apoteose, no Rio. Influências Difícil explicar por que jovens de 20 anos vão em massa ao Morumbi conferir um show sobre um disco de 1973 do Pink Floyd, banda que se desintegrou no década de 80. Muitas vezes, os grande culpados por isso são os pais e os irmãos mais velhos, bastante citados pelos garotos da fila. Ricardo Oliveira e Silva, de 41 anos, comprou ingressos na cadeira superior azul para ver a apresentação ao lado do filho, o estudante Ramon, de 17 anos. "Eu sou fã dos caras desde moleque, como ele?. Alguma divergência? "Meu preferido é o Roger Waters, já o dele é o David Gilmour", revelou Ricardo, referindo-se ao guitarrista e desafeto de Waters, que ficou com a banda depois que ela se desfez. Ramon não chegou a ver os dois astros unidos na banda, mas diz compreender a situação. "Esses conflitos são normais. Já é difícil conviver com parente, ainda mais com amigos." O estudante Pedro Contrucci, de 21 anos, que garantiu o ingresso na cadeira numerada azul logo que o show de Waters foi anunciado, esperava ansioso para ver o ídolo de perto. "Tem banda que oferece, nos shows, aquilo que você ouve no CD. E tem bandas como o Pink Floyd, que fazem um verdadeiro espetáculo." Para Contrucci, um dos diferenciais de The Dark Side of the Moon é unir um som sofisticado com letras que falam sobre temas universais, como Shine on You Crazy Diamond. Trânsito Cerca de 2.500 pessoas são os responsáveis pela segurança do show, entre eles policiais militares e civis, além de funcionários de uma empresa de segurança contratada pela CIE, organizadora do evento. Até as 22 horas, não havia registro de ocorrências graves. O trânsito estava bastante complicado por volta das 20 horas nas proximidades do Estádio do Morumbi. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a situação mais complicada ocorria na Avenida Morumbi, no sentido do Palácio dos Bandeirantes. Neste ponto, o motorista encontrava dificuldades desde a saída da ponte do Morumbi. (Colaboraram Pedro Henrique França e Flávia Guerra) Texto atualizado às 11 horas

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